O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 04/05/2021

Houve um tempo em que deixar de comer carne não era uma opção popular, o churrasco tão aclamado pela cultura brasileira é quase um patrimônio imaterial, contudo esse cenário tende a mudar. Pesquisas recentes do Ibope, apontam um crescimento expressivo de vegetarianos na última década. Os motivos são diversos, mas cabe destacar a consciência ambiental e a diminuição do poder aquisitivo no país.

Primeiramente, é notável o crescimento da preocupação com o meio ambiente nos últimos anos. O desmatamento da Amazônia é um tópico que gera grande repercussão, logo, o debate acaba desaguando na criação de gado para a alimentação. A pecuária advinda do modo capitalista é realizada em grande escala, portanto, uma imensa quantidade de ração deve ser produzida, tendo como um de seus principais insumos a soja transgênica. O plantio dessa leguminosa é o responsável pela destruição ambiental dos biomas brasileiros, dessa forma, o aumento da consciência ambiental colabora para a diminuição do consumo de carne.

Outro fator a ser destacado é a diminuição do poder aquisitivo no país, o maior consumo de ovos e laticínios não é por acaso e, muitas vezes, nem por escolha. A pandemia do Covid-19 escancarou a desigualdade no Brasil, milhões de pessoas passam pela situação de insegurança alimentar. Nesse contexto, foram exibidas várias manifestações contra o presidente da república, apelidando-o de “Bolsocaro”, devido aos preços exorbitantes de diversos produtos, dentre eles a carne. Não se trata mais de carnes “de segunda” ou “de primeira”, o custo de manter uma alimentação com proteína animal está cada vez mais incompatível com a realidade dos brasileiros.

Assim, é possível concluir que o aumento do vegetarianismo no Brasil em si não é necessariamente positivo nem negativo. As mudanças dietéticas devem ser feitas a partir da soberania alimentar e de forma sustentável. Um bom exemplo dessa prática pode ser ilustrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ao apoiar a agricultura familiar, constrói de forma agroecológica possibilidades de alimentação saudável e digna para a população. Movimentos como esse devem ser difundidos amplamente pelo país, contando com o apoio do Governo Federal, priorizando o povo ao invés da exportação.