O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 06/05/2021

Prática fundamental para a interiorização do Brasil Colonial, a pecuária também contribuiu para forjar, desde o século XVI, o hábito de consumir carne na incipiente sociedade brasileira. Cerca de 400 anos depois, a adoção crescente ao vegetarianismo, em detrimento da carnivoria, demonstra que a herança histórica supracitada está sendo suplantada por novos paradigmas alimentares. Assim, são dois os fatores que alicerçam o abandono à alimentação de origem animal: a redução da objetificação desses seres e a diversificação dos produtos ofertados - ainda que permaneçam caros.

A princípio, observa-se que a adesão ao vegetarianismo acompanha a tendência de superação da objetificação dos animais pelos humanos. Quanto a isso, o psicólogo Richard Ryder nomeou como “Teoria do especismo” a concepção social vigente de que os seres humanos seriam superiores aos outros organismos vivos, o que justificaria sua utilização como fonte de alimentos, por exemplo. Sob esse viés, é possível perceber que a opção pela não carnivoria não representa apenas uma mudança de hábitos. Mais do que isso: essa atitude revela uma modificação na relação do homem com a natureza, passando a não se enxergar como o mais evoluído dentre as espécies. Dessa forma, surge a necessidade de não “coisificação” dos outros seres, a qual se manifesta no abandono do consumo de carne.

Outrossim, o aumento na variedade de produtos vegetarianos disponíveis no mercado contribui para impulsionar o número de adeptos no Brasil. Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, diversos alimentos já foram adaptados para essa população, como salsichas e coxinhas. Apesar disso, esse mesmo órgão apontou que 60% dos entrevistados consumiriam mais esse tipo de mercadoria, não fosse o valor elevado em relação aos alimentos comuns. Nesse sentido, é possível notar que, mesmo com a variabilidade impulsionando o número de adeptos para cima, o abandono da carnivoria poderia ser potencializado com a democratização do valor dos mantimentos vegetarianos.

Depreende-se, portanto, que os fatores de aumento do vegetarianismo no Brasil devem ser fomentados. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania conscientizar a população sobre a necessidade de respeito às outras formas de vida, por meio de campanhas na televisão e “internet”, que abordem a importância de não objetificação dos animais, com o fito de superar a crença na superioridade humana.  Além disso, o Ministério da Economia - em conjunto ao órgão homólogo da agricultura - deve promover modificações nos preços dos alimentos vegetarianos, mediante a equiparação de seus valores em relação aos produtos de origem animal, com o objetivo de democratizar o acesso a esses bens de consumo.