O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 03/06/2021

Consoante ao sociólogo francês Pierre Bourdieu, cada sociedade tem ações próprias e seus indivíduos as seguem como um “habitus”. No contexto brasileiro, o hábito do vegetarianismo cresce como uma alternativa mais vantajosa em relação aos produtos cárneos. Esse cenário, então, possibilita uma realidade mais saudável aos adeptos da dieta baseada em vegetais, que é motivada pela sustentabilidade do planeta e pela saúde do corpo humano.

Em uma primeira análise, nota-se que o consumo de carne corrobora a degradação da natureza. Essa pespectiva é ilustrada no documentário “Cowspiracy”, da plataforma de “streaming” Netflix, pois revela  a pecuária como a principal responsável pela emissão dos gases do efeito estufa. Tal indústria, por conseguinte, é fomentada pela alta demanda da dieta carnívora da sociedade. Dessa maneira, o aumento do vegetarianismo tornou-se uma possibilidade de romper com o comportamento alimentar com base em animais, com o intuito de gerar novos hábitos, os quais possuam um impacto ambiental mais ameno, já que os bovinos emitem metano na sua digestão, e esse gás contribui para o aquecimento global. Verifica-se, então, que o plano alimentar dos indivíduos está diretamente relacionado à sustentabilidade do meio ambiente.

Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, observa-se que a alimentação e a saúde são direitos da população, garantidos pela Constituição Federal Brasileira de 1988. No quadro brasileiro os risco do processamento da carne é preocupante para a vitalidade dos cidadãos, pois conforme a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) a carne processada aumenta em 20% o câncer colorretal. Como também, contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, devido ao alto índice de gordura saturada. Nesse viés, a escolha por não consumir carne de procedência animália revela uma preocupação com a saúde. Logo, entende-se a maximização do vegetarianismo como uma prática motivada pelo autocuidado em consumir alimentos, que evitem o surgimento de enfermidades.

Percebe-se, portanto,  que o “habitus” do vegetarianismo seja presente na dieta dos brasileiros. De ínicio, cabe ao Ministério da Educação estimular os professores a lecionarem aos alunos, desde o ensino fundamental, em aulas interdisciplinares, como Geografia e Sociologia, as consequências ambientais da pecuária, assim como evidenciado em “Cowspiracy”, para o indivíduo tomar consciência da escolha da sua dieta para o meio ambiente. Paralelo a isso, o CONAR, órgão responsável pelas propagandas em âmbito nacional, deve fazer campanhas televisivas, em horário nobre, com o apoio do Ministério da Saúde, alertando os efeitos negativos do consumo de carne exagerado para a saúde dos brasileiros e, assim, incentivar, de maneira paulatina, o vegetarianismo como prática de autocuidado.