O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 18/06/2021
Ao longo da última década, em um período de 6 anos, o número de brasileiros adeptos à dieta vegetariana duplicou no Brasil. No ano de 2019, esse número atingiu quase 30 milhões, de acordo com pesquisa do IBOPE. Esse grupo de pessoas justifica tal opção de alimentação pelas mais diversas razões: principalmente a compaixão pelos animais, mas também pela sustentabilidade do planeta e desejo por uma dieta mais saudável. Uma das maiores barreiras para o avanço desse movimento é a dificuldade em encontrar no mercado produtos que substituam as proteínas animais.
No livro Libertação Animal, publicado na década de 1970, o professor e filósofo contemporâneo Peter Singer expõe as realidades da indústria pecuária e os horrores que ocorrem em testes laboratoriais em relação aos animais. Essa realidade, ainda muito obscura e desconhecida, vem sendo, desde então, cada vez mais denunciada por movimentos ativistas ao redor do mundo. Peter Singer explica, ainda, como seres humanos são predispostos a sentir empatia e compaixão pela dor de todas as espécies de animais. Diante disso, justifica-se o aumento constante do movimento vegano e da adoção do vegetarianismo no Brasil e no mundo.
De acordo com pesquisas nutricionais, recomenda-se que o ser humano consuma, diariamente, em proteínas, aproximadamente 0,1 a 0,15% do seu peso corporal. Ainda há uma grande resistência da indústria alimentícia em oferecer produtos sem componentes de origem animal, gerada por um estigma por parte da sociedade que pensa ser impossível manter uma dieta equilibrada sem as proteínas animais. Sendo assim, a maioria das fontes proteicas de alimentação disponíveis no mercado atual são de origem animal, como carnes, ovos e leite. No entanto, especialistas em nutrição afirmam ser possível manter uma alimentação vegetariana saudável e equilibrada, desde que todos os nutrientes diários sejam consumidos corretamente. Ocorre que a necessidade de substituir as proteínas animais por produtos veganos resulta em uma rotina complicada e cara, muitas vezes inacessível a parte da população pela falta de disponibilidade desses alimentos.
Diante do exposto, são evidentes os benefícios gerados pela alimentação vegetariana e pelo estilo de vida vegano, sendo lastimável o estigma ainda existente sobre esses movimentos. Portanto, impõe-se que o governo federal, com o auxílio da ANVISA, incentive e estimule essa prática, facilitando o acesso aos alimentos apropriados à população, com medidas tais como a diminuição de tributação sobre alimentos sem componentes de origem animal e a facilitação de importação desses produtos. Dessa forma, a indústria alimentícia terá incentivos monetários para oferecer mais produtos veganos, de melhor qualidade e mais baratos, tornando-os acessíveis à maioria da população brasileira.