O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 01/07/2021
“Inteligência é a habilidade das espécies para conviver em harmonia com o meio ambiente.” A máxima de Paul Watson, co-fundador do Greenpeace, dialoga com a importância de manter um ecossistema equilibrado entre a vida animal e a natureza. Mediante isso, o vegetarianismo, que apesar de crescente no Brasil, ainda necessita de mais adeptos, é uma das práticas que fomentam esse equilíbrio ecológico, a partir da diminuição do consumo de carne e produtos de origem animal. Dessa forma, é imprescindível analisar como o vegetarianismo influencia na preservação ambiental e os impasses para sua abrangência no Brasil. Em primeiro plano, é válido ressaltar que o pensamento da sociedade acerca da utilização dos animais ainda é exploratório e objetificado. De fato, em uma sociedade colocada em sexto lugar no ranking de mais consumidora de carne no mundo, a correlação entre o alimento e a vida do animal se torna distante. Consoante os princípios da bioética, em seu livro “Libertação Animal”, Peter Singer afirma que os animais possuem níveis de senciência e, portanto, são capazes de sentir dor. Tal preceito é esquecido – ou ignorado – pela sociedade e pelos grandes produtores de carne, haja vista a exploração contínua e muitas vezes agressiva dos animais. Logo, é substancial a mudança desse pensamento coletivo. Em segundo plano, o aumento do consumo de carne é diretamente proporcional ao prejuízo ambiental. De forma contrária à harmonia com o meio ambiente proposta por Paul Watson, o aumento na produção de carne significa o avanço do agronegócio sobre os biomas brasileiros, e consequentemente a sua degradação. De acordo com a Carta Magna Brasileira, é dever do Poder Público defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Ademais, a atitude do Estado, o qual flexibiliza leis ambientais em prol da exploração da natureza, configura uma quebra do “Contrato Social” proposto pelo teórico John Locke, já que o governo deixa de cumprir sua função como defensor de um ecossistema equilibrado. Destarte, é incontrovertível que apesar de fundamental, o vegetarianismo ainda possui impasses para sua efetivação no contingente demográfico brasileiro. Para reverter esse cenário, faz-se necessário que ONGs, com finalidades ambientais, por meio do diálogo com a sociedade civil, promova um Plano Pró-Vegetarianismo. Nesse contexto, o Plano poderá englobar a participação da mídia, tanto televisiva, quanto as redes sociais, para alavancar debates acerca da importância de diminuir o consumo da carne, por meio de vídeos, na plataforma do Youtube, com influenciadores digitais vegetarianos. Somado a isso, é importante que, além do papel conscientizador, o Plano também tenha atitude política, que alerte sobre a necessidade de escolher governantes preocupados com a preservação ambiental. Com isso, o vegetarianismo será alavancado e o equilíbrio entre natureza e meio ambiente será possível.