O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 08/07/2021

O denominado vegetarianismo estrito propõe um estilo de vida baseado fundamentalmente no não consumo de alimentos de origem animal - existem, porém, variações que abrem exceções à ingestão de laticínios e ovos, por exemplo, caso em que a restrição alimentar se dá apenas a carnes. No Brasil, observou-se nos últimos anos um aumento expressivo dessa prática, sendo mais de um décimo da população declaradamente vegetariana, conforme os dados do IBOPE. Nesse sentido, faz-se muito importante a compreensão dos principais motivos que levam à adesão ao regime e, igualmente relevante, os desafios com os quais convivem a população praticante ou interessada nele.

Em primeiro lugar, vale destacar que, além da empatia para com os animais, outro principal fator que incentiva o indivíduo a parar de consumir carne e outros gêneros é o impacto ambiental causado por essa indústria. De acordo com o exposto no documentário estadunidense Cowspiracy, para a produção de 1 quilograma de carne são gastos 5 litros de água, aproximadamente; a criação de gado e seus subprodutos são responsáveis por 51% das emissões de gases agravantes do efeito estufa. Assim, aderir ao vegetarianismo significa indiretamente contribuir para a diminuição dos gastos e poluição, ou seja, torna-se uma forma de tomar parte na luta pelo meio ambiente.

Por outra perspectiva, tomando como ponto de referência os obstáculos encontrados pelos vegetarianos, há um grande problema de falta de suporte para o vegetarianismo. Embora tenham um cardápio com diversos pratos, muitos dos grandes restaurantes, como McDonald’s, Burguer King e KFC, apresentam somente uma alternativa de lanche para quem não consome carnes de qualquer tipo. Naturalmente, a ausência de regulamentação sobre esse quesito faz com que a criação de opções vegetarianas venha a depender do bom senso dos empresários - como o caso da Cabana, rede de restaurante no Grande ABC em São Paulo, onde cada prato possui uma versão vegana - não de aparelhos governamentais.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade de criar mecanismos legais que ajudem a sustentar das preferências alimentares dos vegetarianos, sobretudo porque estão gradualmente crescendo em número. Dessa forma, cabe ao IBGE a inclusão de perguntas sobre hábitos alimentares no Censo, de modo que os políticos locais se mantenham informados e capazes de conduzir políticas públicas voltadas ao público vegetariano, por exemplo a obrigatoriedade a restaurantes fast food de oferecerem, no mínimo, 3 opções de consumo sem alimentos de origem animal (usando carne de soja, por exemplo). Decerto, medidas como essa serviriam como apoio para que as pessoas não se sentissem desestimuladas e pudessem encontrar mais de uma possibilidade de refeições sem preparar por si só.