O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 22/10/2021

A “Grande Fome” foi um episódio histório que ocorreu no século XIV, na Europa Ocidental, responsável pela dizimação de milhões de medievos. Tal hecatombe deveu-se às sucessivas crises climáticas, cujas causas remontam às crises ambientais - pelo desmatamento de bosques e drenagens de pântanos -, refletindo no clima e, consequentemente, na perda de produtividade das colheitas feudais. Fora desse contexto, percebe-se mudanças nos hábitos alimentares, com o crescimento da população vegetariana no Brasil, devido à preocupação com a degradação do meio ambiente, pelas lavouras destinadas à ração bovina, além da questão da ética animal.

A princípio, o brasileiro médio tende a relevar as consequências desastrosas das práticas de desmatamento e queimadas da floresta nativa em prol do desenvolvimento agropecuário, pois ele acredita que tal mudança no uso da terra é um símbolo da prosperidade econômica nacional. No entando, essa visão retrógrada potencializa a exploração dos recursos naturais, degradando as propriedades edáficas, conquanto destina os gêneros agrícolas, pelas lavouras cultivadas, à agroindústria, na formulação de ração para a pecuária. Nesse contexto, o vegetarianismo entra como uma postura de consumo que visa a mitigar os efeitos adversos do agronegócio no meio ambiente, ao não consumir carne e priorizando produtos orgânicos produzidos pela agricultura familiar.

Nessa conjuntura, soma-se o viés vegetariano e vegano acerca da ética animal. De acordo com o filósofo Peter Singers, a Ética Ambiental pode ser conceituada como um conjunto de preceitos a partir do qual estende-se a ética e a filosofia moral, não só no campo antropocêntrico, mas também aos outros animais e ao meio ambiente em si. Assim, o crescimento do vegetarianismo associa-se às preocupações, indagações e problematizações da visão predominante de sujeição dos animais ao ser humano, colocando-os como seres vivos com o direito à vida livre do controle humano.

Destarte, faz-se mister a adoção de medidas exequíveis para mitigar os efeitos danosos ao meio ambiente com a expansão agronegócio e viabilizar modelos de produção alternativos. Assim, o quadro ministerial do governo federal deve coibir toda e qualquer atividade de degradação ambiental nos biomas do Cerrado e da Amazônia, por meio da fiscalização pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), destinando maiores recursos financeiros à autarquia. Tal fiscalização deve aliar recursos do sensoriamento remoto via satélite do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) diariamente. Ademais, deve-se ter mais verba para ao pequenos produtores rurais, via crédito, de modo a modernizar essas pequenas propriedades e torná-los mais competitivos no mercado. Somente dessa forma, dessa possível atenuar os danos ambientais da larga produção.