O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 10/11/2021

O documentário “Cowspiracy” aborda os impactos ambientais oriundos da prática de agropecuária intensiva, método no qual há o confinamento animal para a produção de carne em larga escala. Consoante à obra cinematográfica, a preocupação com o desiquilíbrio ecológico e a crueldade animal, assim como a difusão de saberes acerca dos efeitos deletérios da pecuária no planeta, tem fomentado o crescimento do vegetarianismo no Brasil.

A priori, vale ressaltar que a compreensão sobre as mudanças climáticas e demais perturbações ambientais serem intensificadas pela ação antrópica, impulsionaram a adoção de uma alimentação sem produtos animais. Nesse sentido, o acréscimo no número de vegetarianos reflete a amplificação da consciência ambiental, uma vez que uma parcela cívica atribui a adesão a dieta à base de vegetais aos prejuízos causados pela indústria da carne. Sob essa ótica, o documentário “Sob Pata de Boi” acentua que o desmatamento de biomas como o amazônico, em razão do avanço da fronteira agrícola, se traduz em perda de biodiversidade animal e vegetal, além de processos de erosão, desertificação e empobrecimento nutritivo do solo. Tal processo, se não for controlado, poderá afetar o biossistema de forma irreversível.

Outrossim, o uso massivo das redes sociais também contribui para o espalhamento de informações sobre os aspectos ambientais, éticos e de saúde implícitos ao consumo da carne e derivados animais. Nesse ínterim, a facilidade em conectar pessoas que partilham dos mesmos ideais e a velocidade de propagação do conhecimento que a internet possui, facilita com que haja um favorecimento de atitudes focadas no “Ecocentrismo”, termo cunhado pelo filósofo Aldo Leopold e que representa a visão do homem como pertencente a natureza, de modo que o ser humano passa a assumir uma postura mais harmoniosa, buscando minimizar os distúrbios ecológicos causados pelo consumo.

Diante do aumento expressivo de vegetarianos no Brasil, seu debate se torna vital. Para isso, urge que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação, que deverá reverter a verba na implantação de palestras nas escolas sobre o vegetarianismo, com o objetivo de levar informações sobre os impactos do alto consumo de produtos animais, de modo a desmistificar possíveis tabus sobre a exclusão de carne da dieta. Ademais, cabe as escolas estimularem os alunos a extrapolarem as discussões para além da sala de aula, fomentando o debate sobre o consumo consciente no ambiente familiar. Dessa forma, espera-se munir os estudantes com informações e mitigar atitudes de preconceito interiorizados no tecido civil.