O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 04/01/2022
O vegetarianismo como escolha pessoal por motivos ideologicamente morais vem se destacando nos últimos anos no Brasil. Dados da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) em pesquisa realizada pelo IBOPE mostram que houve um crescimento de aproximadamente 75% da população vegetariana e na última década o número de vegetarianos mais do que dobrou, atingindo a marca de 30 milhões de brasileiros. A adoção de um regime alimentar que exclui produtos de origem animal apresenta razões como ética, saúde, meio ambiente e sociedade. Nesse sentido, a pauta vegetariana converge direta e positivamente com causas sociais que envolvem questões bioéticas como a não compactuação com a exploração e o abate animal, além da promoção da sustentabilidade do planeta.
Em primeiro plano, cabe mencionar que o meio ambiente é afetado de modo direto pela produção pecuária. O setor pecuário mostra-se como um dos maiores responsáveis pela constante degradação de recursos, a partir da erosão de solos, contaminação de mananciais aquíferos e emissões de gases do efeito estufa. Além disso, grande parte do desmatamento da Amazônia se dá com vistas à produção de carnes, laticínios e ovos. De acordo com o princípio da responsabilidade desenvolvido pelo filósofo Hans Jonas, o futuro não pode ser sacrificado a favor do presente e a humanidade deve agir de forma ética e responsável pela existência das gerações futuras. Portanto, o modo de viver vegetariano é coerente à urgência de reflexões e atitudes que visam à sustentabilidade ambiental.
Ademais, vale ressaltar que, os animais abatidos para produção de alimentos são sencientes, ou seja, capazes de sentir prazer ou dor e de estar conscientes dessas sensações, fato esse explicitado por Paul McCartney, cantor e compositor, “Se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”. Segundo o filósofo Peter Singer em seu livro “Libertação animal”, o especismo - ideia geral que prega a superioridade da espécie humana - impede a expansão do princípio da igualdade na consideração da dor para atender aos interesses e preferências tanto de humanos quanto de animais. Sendo assim, é necessária a defesa de princípios morais que adequem as ações humanas a maximizar os interesses de todos, pesando de maneira igual as preferências de ambas as espécies.
Diante disso, a prática vegetariana é eficiente no que tange ao princípio de moralidade sustentável, tal como afirma Hans Jonas. Para mais, do utilitarismo de preferências que tem o sofrimento como parâmetro que define interesses morais, em consonância com Peter Singer, os animais têm uma complexa capacidade cognitiva e deve-se atribuir o mesmo peso às preferências de todos aqueles que são afetados pelas ações humanas. Em vista disso, o vegetarianismo deve ser incentivado entre a população, pois com sua adoção ameniza-se-iam inúmeras problemáticas sociais.