O aumento do vício em celulares no Brasil

Enviada em 05/06/2025

No cenário contemporâneo, o uso excessivo de celulares tem se tornado uma

preocupação crescente no Brasil. De acordo com o Relatório Digital 2024, o país ocupa a segunda posição mundial em tempo médio diário de conexão à internet, com usuários passando mais de nove horas online. Esse comportamento reflete não apenas uma mudança nos hábitos sociais, mas também levanta questões sobre os impactos dessa dependência tecnológica na vida cotidiana.

A pandemia da Covid-19 agravou a dependência da tecnologia, especialmente do uso de celulares, ao transferir atividades como o trabalho, estudo e lazer para o ambiente digital. Nesse contexto, tornou-se evidente o que o sociólogo Manuel Castells define como “sociedade em rede”, em que as relações sociais, econômicas e culturais são mediadas por redes digitais. No Brasil, esse fenômeno foi agravado pela ausência de políticas públicas voltadas ao uso consciente da tecnologia, fazendo com que a hiperconectividade se transformasse em hábito cotidiano. Assim, o celular deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ocupar um papel central na vida das pessoas, o que contribui para o crescimento dos casos de vício digital no país.

Além das transformações sociais, o uso compulsivo de celulares tem provocado impactos significativos na saúde mental. Um dos efeitos mais preocupantes é a nomofobia termo que designa o medo irracional de ficar sem acesso ao celular ou à internet, frequentemente associado à ansiedade, irritabilidade e sensação de isolamento. Esse fenômeno encontra eco na série Black Mirror, especialmente no episódio “Nosedive”, que retrata uma sociedade em que a vida dos indivíduos é completamente regida por interações digitais e busca constante por aprovação.

Diante dessa dependência digital crescente, é essencial que o Estado brasileiro implemente políticas que limitem o uso excessivo de telas em espaços institucionais e incentivem a criação de ambientes de desconexão voluntária. Ademais, é necessário promover uma mudança cultural que valorize o tempo livre, a atenção plena e as relações humanas presenciais, rompendo com o ciclo de compulsão digital que atinge todas as faixas etárias. Dessa forma, será possível resgatar vínculos autênticos em meio à era da hiperconectividade.