O aumento do vício em celulares no Brasil
Enviada em 25/06/2025
No livro “Utopia”, escrito por Thomas More, descreve-se um mundo ideal, onde a vida em sociedade é equilibrada e pautada pela moderação. No entanto, ao observar a realidade brasileira, percebe-se o avanço descontrolado do vício em celulares no Brasil, um problema que rompe com esse ideal de equilíbrio. Esse desiquilíbrio evidencia os desafios para moderar esse vício, marcado principalmente pela formação familiar e pela manipulação algorítmica.
A princípio, é imperioso analisar a formação familiar. Isso porque, como apontam os sociólogos Peter Berger e Thomas Luckmann, é na socialização primária, realizada no ambiente familiar, que o indivíduo forma suas primeiras referências de comportamento e limite. Entretanto, muitas famílias brasileiras, seja por falta de tempo ou de orientação, acabam permitindo o uso excessivo de celulares desde a infância, utilizando o dispositivo como uma espécie de “babá digital”. Tal ausência de mediação parental contribui para o vício em telas, evidenciando a gravidade do problema.
Outrossim, é igualmente necessário discutir a manipulação algorítmica. De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, as grandes empresas de plataformas digitais utilizam dinâmica manipulativa para prolongar o tempo de uso dos usuários e extrair seus dados pessoais. Esse cenário ajuda a explicar o aumento preocupante do vício em celulares no Brasil. Pois, esses processos exploram os mecanismos de dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, o que favorece o desenvolvimento de comportamentos compulsivos. Assim, a dependência digital, longe de ser uma escolha individual, é resultado de um projeto comercial que manipula a vontade dos usuários.
Destarte, medidas mostram-se necessárias para a resolução dos problemas apresentados. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com psicólogos e pedagogos, criar um programa de educação midiática voltado aos pais e alunos, com a finalidade de orientar sobre a qualidade e o tempo de uso das telas. Desse modo, a escola cumprirá seu papel de formar adultos mais conscientes. Com essa medida, espera-se que o Brasil se aproxime da utopia idealizada por Thomas More.