O aumento do vício em celulares no Brasil

Enviada em 21/06/2025

De acordo com Sófocles, “nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”. Uma breve reflexão sobre tais palavras permite inferir que a lógica do dramaturgo grego, quando comparada à realidade brasileira, mostra-se evidente, porquanto a era digital, apesar de transformar positivamente, trouxe pontos negativos, como o isolamento social e o surgimento de doenças. Nesse contexto, não só a influência social, como também o descaso familiar induzem ao aumento do vício em celulares no Brasil. Urge, pois, fazer uma análise de ambos os fatores.

Sob esse prisma, vale frisar que a necessidade de pertencimento social gera o sentimento irreal de precisar estar conectado às redes sociais. Nesse viés, Sigmund Freud explica, em sua teoria sobre a psicologia das massas, que o indivíduo adere atitudes comportamentais devido à pressão social e ao desejo de ser aceito. Tal teoria revela que padrões de comportamento, como o uso de celular, são determinados pela convivência social, uma vez que o indíviduo longe das redes sente-se excluído e deslocado, impulsionando cada vez mais a necessidade estar conectado. Logo, o aumento do vício em aparelhos de comunicação é um problema banalizado pela população, que não enxerga a dependência.

Ademais, é importante destacar que a falta de controle familiar sobre o uso de tecnologia pelos jovens, aumenta o desenvolvimento de transtornos mentais. Nessa perspectiva, Talcott Parsons afirma que: “a família é uma máquina que produz personalidades humanas”. Essa afirmação demonstra que o núcleo familiar tem o poder educar o consumo consciente de aparelhos tecnológicos, contudo, esse controle não vem acontecendo, visto que cada vez mais os jovens vêm desenvolvendo doenças,como ansiedade e depressão, pela abstinência digital. Assim, a negligência dos pais sobre o uso de celular na infância afeta o desenvolvimento e a saúde dos jovens.

Portanto, é inequívoca a constatação de que o vício por celulares ancora-se na omissão social e familiar. Nesse sentido, a fim de mitigar os impactos gerados pela tecnologia, cabe ao Estado, por meio de uma lei, a qual deve ser elaborada com base em sugestões da sociedade civil, implantar palestras que estimulem o uso consciente das telas digitais. Dessa forma, será possível diminuir o vício digital.