O aumento do vício em celulares no Brasil

Enviada em 03/07/2025

Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar o aumento do vício em celulares no Brasil. Nesse sentido, o desinteresse do Estado, bem como o silenciamento da problemática sustentam esse quadro amargo.

Diante desse cenário, é importante destacar que o desinteresse do Poder Público ocorre porque o governo não enxerga retorno financeiro. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não investe em projetos para a população que ajudem a conscientização e o controle do uso dos celulares no país, o que colabora, em grande escala, para o aumento dessa dependência. Desse modo, é inadmissível que, em uma sociedade democrática, os governantes tratem o problema de forma precarizada.

Ademais, é importante salientar o emudecimento da questão. De acordo com a Djamila Ribeiro -socióloga expoente brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto a importância de possuir uma mente estável, estando consciente das consequências ao viver em um âmbito imerso na tecnologia, tendo o objetivo de não afetar as relações sociais dos usuários, ou até mesmo a necessidade de sempre estar conectado. Dessa maneira, é inadmissível que em uma sociedade democrática, o tema não seja amplamente discutido.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de acabar com o vício em celulares no Brasil. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.