O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 06/09/2022

Segundo o renomado escritor Peter Drucke, “o saber e a informação são recursos estratégicos para o desenvolvimento humano.” Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetivada, sobretudo, no Brasil, em que o aumento do uso irresponsável de opioides configura um preocupante desafio a ser solucionado. Faz-se fulcral, dessa forma, expor a negligência governamental e a omissão midiática como principais responsáveis pelo viés.

Em primeiro plano, é preciso analisar de que modo a máquina pública opera no revés. Acerca disso, o filósofo inglês John Locke desenvolveu o conceito de Contrato Social, a partir do qual determinou que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado, que, por outro lado, deve garantir os direitos básicos a eles. Entretanto, no país, tal contrato é diariamente quebrado à medida que as autoridades não ofertam propostas significativas que, potencialmente, objetivem combater o acesso fácil em farmácias e ao uso indiscriminado dessas medicações. Sob essa ótica, embora a Constituição Federal garanta o direito à saúde, o segmento estatal inoperante não cumpre seu papel, viabilizando uma população de dependentes de tais narcóticos.

Além disso, a displicência da mídia também agrava o impasse. A esse respeito, de acordo com o naturalista Lamarck, “os indivíduos são fortemente influenciados pelo meio no qual estão inseridos.” Por esse ângulo, a rede publicitária atua como um veículo de informação, entretanto, considerável parcela da sociedade não possui conhecimento sobre os efeitos colaterais devido o abuso de analgésicos potentes, questão que abre espaço para desenvolver cidadãos doentes tanto na esfera psicológica, como física. Logo, a desinformação social deve ser impugnada.

É urgente, portanto, que providências sejam tomadas para combater o uso descontrolado de opioides. Nesse sentido, as escolas - responsáveis pela transformação social - devem informar as consequências geradas pelo uso de sedativos para seus alunos, por meio de projetos pedagógicos, como aulas e oficinas de biologia capazes de estimular o conhecimento técnico. Essa iniciativa teria a finalidade de promover o senso crítico e de garantir que o Brasil seja uma nação saudável e, de fato, livre de qualquer forma de dependência química.