O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 01/09/2022

Remédios classificados como opioides pertencem a uma classe de drogas que possuem forte efeito de analgesia. Tais remédios, popularmente chamados de “tarja preta”, apresentam elevadas chances de adicção e, por isso, há um controle de receitas para comprá-lo. Entretanto, visto o aumento do uso de opioides no Brasil, faz-se necessário analisar o atual panorama e atentar-se tanto para a falta de visibilidade da problemática quanto para a irresponsabilidade governamental.

Nessa perspectiva, cabe destacar que a invisibilidade é motivada pela falta de política pública eficaz que regularize essa problemática. Isso ocorre, de acordo com a antropóloga Lilia Schwarcz, porque há a prática de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas são suavizados e não recebem a visibilidade necessária. Sendo assim, tal contexto configura-se como problemático, uma vez que o aumento do uso dessas drogas pode estar relacionado ao uso indiscriminado que, por sua vez, leva o usuário ao vício e a efeitos colaterais, em concordância com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Outrossim, vale ressaltar o porquê a questão é marcada por falta de responsabilidade do governo. Nesse sentido, para compreender tal situação, é válido evocar as considerações do economista Thomas Piketty. Segundo a lógica do intelecutal, a perpetuação de problemas sociais deve ser vista não como consequência de uma omissão das autoridades, mas sim como resultado de uma ação consciente delas. Isso acontece porque, como afirma o teórico francês, os governantes sempre têm o poder de transformar uma realidade e, se não o fazem, é porque escolheram dar aval para a continuação do problema. Logo, perante o aumento do uso de opioides no Brasil, há uma irresponsabilidade do poder público que permite isso.

Portanto, ao elencar tais fatores, é imprescindível medidas vindas da esfera estatal. Para isso, cabe ao Governo Federal impedir que o número de adictos a opioides no Brasil cresça, por meio de uma campanha de conscientização. Tal ação deve visar a conscientização de médicos e pacientes sobre os malefícios de usar tal droga e incentivar o uso de outros analgésicos que não sejam opioides. Espera-se, dessa forma, combater o crescimento de usuários de opioides no Brasil.