O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 05/09/2022

Durante muito tempo o homem, na sua tentativa de amenizar a dor física, buscou desenvolver e utilizar novos medicamentos. Até mesmo o álcool, a heroína e o clorofórmio foram utilizados como anestésicos no passado. À medida que novos medicamentos mais seguros foram surgindo, sua prescrição nem sempre foi acompanhada da mesma segurança, gerando dependência e a ideia de que as pessoas necessitam daquilo, mesmo quando não é o caso.

É comum ouvirmos notícias que algumas bacterias tornaram-se resistentes à diversos antibioticos devido ao seu uso indiscrinado durante a vida do indivíduo. De maneira análoga a isso, muitas pessoas acabam fazendo uso excessivo de opióides sem realizar uma análise do riscos que lhe oferecem, apenas vislumbrando o alívio da dor oferecido. Uma causa disso é que, ao procurar atendimento médico, o profissional oferece o medicamento que resolve o desconforto a curto prazo sem, em muitos casos, considerar os riscos futuros. Por outro lado, o paciente, satisfeito com o alívio alcançado, procurará novamente pelo medicamento, correndo risco de tornar-se dependente.

Além disso, o uso indiscriminado deste tipo de medicamento pode fazer com que as pessoas sintam-se mais propícias a tomar estas medicações sem maiores questionamentos, tanto pela curiosidade quanto pela divulgação deste uso na mídia. Há, inclusive, o efeito da “romantização” do uso de opióides, da forma semelhante àquela do uso de cigarros de outrora, um exemplo disso é a série “House”, onde o protagonista é dependente destes medicamentos e os considera a única coisa capaz de ter uma vida normal, apesar da dor crônica que possui.

Hipócrates afirma “O alimento é a melhor medicação”, isto é, as coisas mais básicas devem ser priorizadas antes de soluções mais sofisticadas. Para que o uso indiscriminado de opioides seja controlado, é necessário que o Governo Federal e os CRMs regularizem mais a prescrição destes medicamentos e desenvolvam uma plataforma digital, acessivel à todo medico no momento da consulta, que contenha informações sobre o histórico do paciente quanto ao uso de opióides no passado, provendo, assim, mais informações ao médico para que possa ter maior segurança quanto à prescrição deste tipo de fármaco.