O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 05/09/2022
Diversas séries norte-americanas, como “Dr. House”, retratam a problemática dependência de usuários de narcóticos nos Estados Unidos. No Brasil, a realidade aproxima-se, cada vez mais, do cenário exibido nas produções cinematográficas citadas, haja vista que o contingente populacional que faz uso abusivo dessas substâncias - e, por conseguinte, torna-se dependente - cresce de forma alarmante. Desse modo, faz-se crucial compreender a causa desse aumento, tanto no que concerne à esfera individual quanto no que tange à atuação estatal.
Diante desse cenário, é imprescindível destacar o foco que as pessoas conferem ao efeito terapêutico dos opioides e a “cobertura” dada aos seus efeitos adversos, como se estes fossem inócuos. Na verdade, ambas as informações são claramente descritas nas Bulas de todos os medicamentos, em consonância com a Legislação da Anvisa, justamente para que todos acessem esses conhecimentos. A questão, porém, é que os indivíduos só querem sanar suas dores sem se preocupar com as consequências da ingesta desses medicamentos e, para isso, chegam a tomar os comprimidos como se fossem balas, bem como o Dr. House da série homônima.
Ademais, é importante ponderar a atuação do governo, ou melhor, a falta dela. De fato, ao lidar com a questão de substâncias nocivas, as operações estatais voltam-se ao combate do crime organizado, o que, obviamente, é fundamental. Contudo, outras instituições também merecem atenção: as redes farmacêuticas. Essas, não por acaso, se multiplicam nas cidades, afinal, há um extenso público consumidor que garante o lucro às empresas - as quais, por vezes, atuam de forma ilegal: com a venda não-prescrita de opioides. Nesse viés, urge que o Estado atente-se também à venda das substâncias que, em tese, ocorrem somente de forma legal, pois a realidade nitidamente destoa desse panorama.
Infere-se, portanto, a importância de se eliminar as causas do expressivo aumento no uso de opioides entre brasileiros. Para tanto, a Anvisa e os Conselhos Regionais de Farmácia devem coibir a venda irrestrita desses produtos, por intermédio de ações de fiscalização nas farmácias, as quais devem contemplar a averiguação dos bancos de informações dos estabelecimentos. Isso deve ser feito com o fito de garantir que os analgésicos potentes sejam vendidos estritamente àqueles que necessitam, em posse de receitas médicas. Feito isso, o caos causado por opioides já instaurado em outros países poderá abster o Brasil de igual situação.