O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 10/09/2022

Na obra “Eu, Christiane F - 13 anos, Drogada e Prostituída” - escrita por Kai Hermann e Horst Rieck - é retratada a história de uma jovem que se vicia em heroína e se torna refém da marginalidade e do meretrício. Fora da literatura, é fato que a realidade apresentada por Hermann e Rieck pode ser relacionada a atual situação do Brasil: gradativamente, mais cidadãos estão fazendo a utilização ilegal de opioides. O uso desses medicamentos à longo prazo pode causar dependência química, sendo ela um dos principais fatores que levam pessoas à ficarem à mercê da criminalidade e da exclusão social.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, o número de indivíduos que fazem uso de opiacéos já é expressivo em relação a outras drogas, já que, de acordo com a Fiocruz, 3.007,00 a mais de seres que usaram algum tipo de entorpecente comparado ao número de cidadãos que usaram crack. Certamente há uma negligência governamental no concerne a criação de mecanismos que coíbam a comercialização ilegal desses narcóticos.

Por seguinte, mostra-se que, o uso dessas substâncias está diretamente causa a exclusão social, pois, de acordo com um estudo realizado pelo Ministério da Cidadania, o uso de drogas é um dos principais motivos para indivíduos ficarem em situação de rua, sofrendo, indubitavelmente, exclusões sociais e na saúde pública. Além do mais, a negligência do Estado se estende também a forma precária na qual dependentes químicos são tratados, é evidente que, o governo não oferece tratamentos adequados e não existem programas efetivos de ressocialização.

Infere-se, portanto, a adoção de medidas que venham garantir a não comercialização ilegal de opioides, a bons tratamentos e programas que exercem a ressocialização para pessoas viciadas. Dessa maneira, cabe o Ministério Público federal, mediante o aumento do percentual investido, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentais, coordenar com mais eficácia ações de investigação, diligência, cuidado e de recolocação na sociedade referente as drogas e aos seus usuários. Somente assim, o Estado será capaz de administrar melhor o uso legal de opiacéos e impedir que cidadãos tenham acesso ilegalmente, bem como tratar e reinserir indivíduos dependentes no âmbito social.