O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 29/06/2024
Apelidada de Constituição Cidadã, a Carta Magna de 1988 proclama que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Contudo, tal garantia constitucional ainda não se reverbera na realidade prática brasileira, especialmente diante do crescente uso de opioides, que evidencia o consumo irresponsável dessa classe medicamentosa, resultando em dependência química e até em óbitos. Nesse sentido, é crucial investigar como o silenciamento midiático e a inércia governamental agravam esse problema de saúde pública.
Sob essa perspectiva, é incontestável que a omissão na comunicação compromete gravemente a vitalidade da população brasileira. Nesse viés, Djamila Ribeiro argumenta que é imprescindível tornar visível um problema antes de resolvê-lo. No entanto, a postura jornalística contrasta com essa necessidade, pois as consequências da ingestão desses medicamentos são raramente abordadas no meio televisivo. Consequentemente, essa falta de informação perpetua a automedicação com esses fármacos, que podem resultar em sérios danos à saúde. Logo, é fundamental disseminar informações para modificar esse hábito arraigado na sociedade.
Além disso, a ingerência do governo exacerba o consumo descontrolado de opioides no país. Nesse contexto, Thomas Hobbes afirma que o Estado é responsável por regular a ação humana. No entanto, tal responsabilidade não é cumprida no que tange à disponibilidade desses remédios, pois a falta de fiscalização, que deveria ser realizada por agentes do Ministério da Saúde, dificulta a identificação da prescrição indiscriminada dessa classe medicamentosa, que incentiva a ingestão desnecessária de tais drogas, comprometendo a saúde pública. Dessarte, é fulcral a ação federativa para coibir tal prática danosa.
Portanto, é preciso ressignificar o comportamento social diante dos opioides. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por políticas públicas de bem-estar, desenvolver, por meio da mídia televisiva, campanhas com o fito de advertir sobre os efeitos colaterais desse remédio. Somente assim será possível combater a banalização do seu consumo e garantir a saúde como direito efetivo.