O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 14/09/2022

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar importância a situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a Lógica barrosiana, é preciso, portanto, dar importância ao aumento no uso de opioides no Brasil. Dessa forma, essa realidade se deve à negligência estatal e à falta de engajamento pelas mídias.

Mormente, observa-se a negligência estatal como fator que dificulta a resolução do entrave. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King, de que a injustiça em um lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar, cabe perfeitamente, uma vez que a não resolução dessa problemática fere com os direitos dos brasileiros, e, desse modo, desvirtua-se do que se encontra na Constituição Cidadã. Diante disso, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange o uso generalizado de opioides no Brasil.

Ademais, é válido destacar a ausência de engamento pelas mídias como fator que corrobora o uso excessivo de entorpecente na sociedade brasileira. Fica claro, pois, que a indiferença dos veículos midiáticos diante da importância em prevenir o uso de opioides conscientemente silencia a temática na conjuntura social, o que compromete o direito à saúde de muitos brasileiros. Sob esse viés, é lícito referenciar o pensamento do sociólogo Pierrie Bourdieu, o qual, em uma de suas falas sobre as mídias atuais, afirma que os veículos de comunicação deve ser democrático e não opressivo, o que reflete a adoção de uma postura passiva e apática, como acontece no Brasil, em relação ao aumento no uso de opioides no corpo social brasileiro.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde- principal órgão político responsável pela execução da saúde nacional- criar campanhas de conscientização, por meio de uma lei a ser à Câmara dos Deputados. Espera-se que, assim, seja freado o aumento no uso de opioides no Brasil e que a “teologia do traste” não permaneça apenas no campo literário.