O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 19/09/2022

A dependêcia química ocorre em razão da liberação excessiva de neurotransmissores no sistema nervoso central quando se faz uso de certas substâncias, como o ópio e seus derivados. Esses medicamentos, apesar de possuírem efeito benéfico para a população no alívio da dor, podem trazer o vício como consequência se forem receitados de forma leviana. Então, é preciso entender os impactos sociais e as razões estruturais de seu uso irracional.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que o uso indiscriminado dessas substâncias gera impactos sociais para o usuário. Essa afirmação é exemplificada na série “Doctor House”, na qual o protagonista, um médico viciado em oxicodona, enfrenta inúmeras crises em seus relacionamentos e no exercício de sua profissão devido sua dependência. Ao final do seriado ele é preso e impedido de exercer a medicina, o que evidencia os impactos negativos trazidos pelo uso indiscriminado dessas substâncias orgânicas. Fora das telas, essa triste realiade é vivenciada por diversas famílias nas quais algum de seus integrantes dependente de opioides.

Além dos impactos causados, também é importante destacar a origem desse problema. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, a prescrissão dessa classe de medicamentos é ação exclusiva de médicos e deve ser feito em receituário controlado. Entretanto, nos parâmetros curriculares dos cursos de medicina a prescrição racional de remédios controlados não é um item obrigatório, ocasionando a formação de profissionais que desconhecem os efeitos adversos desses remédios. Dessa forma, uma série de potenciais novos viciados existe devido à problemas na formação de novos profissionais.

Portanto, medidas precisam ser tomadas a esse respeito. O Ministério da Educação deve, por meio de uma portaria, conforme suas atribuições, reformular os curriculos escolares das faculdades médicas no Brasil. Essa portaria deve inserir nas aulas de farmacologia a obrigatoriedade de se abordar os efeitos adversos dos opioides. Assim, os profissionais serão formados de forma adequada e saberão receitar esses medicamentos, o que a médio prazo reduzirá o número de prescrições mal emitidas e de dependentes desses remédios.