O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 28/09/2022

A neurocirurgiã “Amelia Shepherd” da série “Grey’s Anatomy” é viciada em opioides, o hábito, no decorrer da série, é explicado como causa de uso inadequado de medicamentos. Assim como retratado na série, o uso inadequado de opioides têm crescido no país e representa potencial para o desenvolvimento de vício. Logo, o índice de uso dos opiáceos e suas consequências são fatores relevantes na presente situação.

Em primeira análise, a prescrição de opioides têm se tornado comum no Brasil e esse fator corrobora o desenvolvimento do vício. De acordo com a Anvisa, em seis anos, a venda prescrita de analgésicos à base de ópio cresceu 465% . Índice preocupante, já que uma pesquisa sobre drogas desenvolvida em 2019, pela Fiocruz, mostrou que 4,4 milhões de brasileiros já fizeram uso ilegal de algum opiáceo, número três vezes superior ao uso de crack. Nesse sentido, é possível relacionar o aumento no uso à falta de critérios para prescrição de opiáceos e um possível quadro de vício, visto que brasileiros já fazem uso ilegal dessa substância.

Deve-se ressaltar também que a prescrição inadequada pode estimular o desenvolvimento de dependência química e gerar danos ainda maiores. Exemplo disso é a epidemia de opioides ocorrida nos EUA, na qual a farmacêutica “Pardue Pharma” teve papel importante por estimular a super prescrição e estima-se que houveram mais de 400 mil mortes por overdose do medicamento “OxyCotin”, um opiáceo, prescrito de forma indiscriminada. Assim, critérios adequados para prescrição dessa classe medicamentosa devem ser estabelecidos.

Portanto, a fim de evitar casos como o da personagem “Amelia Shepherd” mudanças são fundamentais. O ministério da educação, por meio de ações entre universidades e sociedades médicas, deve criar protocolos para prescrição adequada dos opioides e estes serão ensinados como componente obrigatório para os profissionais médicos já inseridos no mercado de trabalho em cursos de formação complementar e em formato de cursos de extensão para acadêmicos de medicina de universidades brasileiras. Essa formação possibilitará maior critério na prescrição medicamentosa para evitar danos aos pacientes e uma epidemia tal qual aconteceu nos Estados Unidos.