O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 25/09/2022
A Guerra do Ópio foi uma disputa bélica, durante o século XIX, que opôs China e Inglaterra. Esta desejava que aquela abrisse seus portos para o comércio do ópio, como droga a ser consumida pelo fumo, com alto grau de dependência química. Hoje, o ópio continua a ser usado, porém, como medicamento, graças ao efeito analgésico. Todavia, assim como ocorreu na China, os opioides, no Brasil, vem sendo consumidos em larga escala e sem acompanhamento médico. Neste contexto, é preciso avaliar a débil ação estatal e os riscos do consumo desenfreado.
De início, o Estado como regulador das normas sociais apresenta uma atuação leviana quanto à temática. O Brasil conta com uma extensa política antidrogas, refletida na Lei de Drogas de 2006. Entretanto, esta atuação repressiva estatal se limita as drogas consideradas ilegais. Nesse sentido, drogas consideradas terapêuticas são vendidas em larga escala, em farmácias, sem uma fiscalização rígida. Prova disso são os medicamentos opioides destinados para tratamento de dores agudas e crônicas, mas que vem tendo seu consumo aumentado, conforme dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desse modo, a posição estatal é essencial para superar a temática.
Além disso, o poder viciante do ópio traz um grande risco à população. No filme “Era uma vez na América”, com Robert de Niro, é apresentado as grandes casas de fumo de ópio, muito populares no século XX, e a triste situação dos dependentes químicos. Atualmente, o risco do consumo é mascarado pela legalidade da compra. O usuário ao utilizar o medicamento crê que sua utilização é livre de riscos pelo fato de ser comprado em farmácias. Contudo, os riscos do ópio e seu fator de dependência permanecem o mesmo. Dessa forma, o emprego destes medicamentos sem prescrição médica acarreta riscos à saúde da população.
Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para frear o aumento do uso de opioides no Brasil. É dever do Ministério da Saúde, por meio de campanhas publicitárias em redes sociais e televisão — veículos de mídia com o maior alcance populacional — alertar dos riscos de tais medicamentos. Esta campanha nacional informativa deve apontar o poder viciante da droga, com a finalidade de impedir o aumento do número de dependentes químicos no Brasil.