O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 28/10/2022
Durante a Colinização do Brasil, eram comuns os relatos do uso de ervas com compostos ativos de analgésicos e sedativos conhecidos como ‘‘Drogas do sertão’’. Diante disso, os portuguêses passaram a adotar as ervas nas exportações. Atualmente, apesar do comércio pelos opioides ser polarizado às indicações do médico responsável, as pessoas ainda se automedicam por meios ilegais. Nesse cenário, é nítido a necessidade de uma intrínseca análise, no que cerne o aumento no uso de opioides no Brasil, a fim de solucionar essa chagas.
Em primeiro lugar, é fundamental apontar que o século XXI é marcado pela pressão e autocobrança. Dentro dessa premissa, o sociólogo contemporâneo, Byung-Chul Han, estabelece o ‘‘Paradigma do desempenho’’. Nela, ele conclúi que há uma íntima relação entre o desempenho e a saúde, isto é, na medida em que a multitarefa é exigida, também fomenta uma comunidade por uma violência exaustiva. Com isso, a sociedade torna-se sujeita à ansiedade e bulimia, impactando na busca incessante por medicamentos capazes de mitigar essa problemática. Logo, a compactuação, de acordo com a dialética afirmada pelo Byung-Chul Han, é evidenciada na realidade brasileira.
Além disso, o silenciamento da temática na conjuntura social provoca uma postura apática na população. Nessa lógica, a antropóloga Lilia Schwarcz explica que há a prática do eufemismo no Brasil, isto é, determinados problemas tendem a ser suavizados se não recebem a visibilidade necessária. Portanto, o fato da não problematização, no que diz respeito ao uso dos opioides no Brasil, propõe um sistema não solucionador para a situação.
Em síntese, o ‘‘Paradigma do desempenho’’ e o silenciamento da temática refletem no aumento do uso de medicamentos no século XXI. Nesse senda, é imperativo que novas estratégias para a contenção desse uso sejam importadas nas atuais políticas. Para tanto, é fulcral que, por intermédio das escolas - responsáveis pela educação -, o Ministério da Educação desenvolva rodas de conversas dentro das salas de aula encorajando os alunos a debater e combater o silenciamento do tema. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio dos hospitais públicos, efetivar janelas de pesquisas dentro das consultas sobre os usuários anuais, a fim de combater a dependência química e o uso indiscriminado e, principalmente, a excludente maneira de se projetar para fora da realidade com medicamentos.