O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 01/11/2022
Byung Chul-Han, expoente sociólogo contemporâneo, explicou em sua obra “Sociedade do Cansaço” que a modernidade oferece riscos à saúde individual no que diz respeito ao excesso de produtividade sufocante e a positividade tóxica. Sob esse viés, é notório que o uso de opióides no Brasil teve significativo aumento, visto que o consumo é muitas vezes descontrolado e acessível, e não há uma política ampla na profilaxia da busca por remédios e drogas que causam dependência.
Em primeiro plano, é evidente que medicamentos controlados são consumidos sem a intervenção médica, o que demonstra a facilidade de obter remédios através do mercado paralelo de consumo. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, mais de um terço da população brasileira já consumiu algum medicamento opióide sem apresentar uma receita válida, o que corrobora a necessidade de um controle mais eficiente das autoridades no que tange à distribuição desses opiáceos e no controle daqueles que são ilegais para consumo.
Ressalta-se, ademais, que medidas de prevenção do uso inadequado de opioides precisam ser melhorados. De acordo com a Anvisa, houve um aumento de aproximadamente um terço no uso desses medicamentos entre a população brasileira, de modo que tal fato é decorrente da negligência à saúde mental em todas as idades, visto que a procura por uma válvula de escape em drogas e medicamentos que causam compulsão são resultados da carência de tratamentos médicos adequados.
Depreende-se, portanto, que urge a necessidade de mitigar o aumento no uso de opiodes no Brasil, e para isso, é necessário que o Ministério da saúde em parceria com a órgãos especializados como a Anvisa, crie programas de fiscalização na distribuição de remédios controlados e drogas ilícitas que possam causar dependência, no intuito de encontrar vendas irregulares e reduzir o mercado paralelo e criminoso desses produtos, de maneira que diminua o consumo compulsivo e não terapêutico. É importante também, que a escola e locais de trabalho promovam amplamente consutas gratuitas com especialistas da área da saúde mental, com a intenção de prevenir a busca por opioides como válvula de escape em relação às mazelas mentais, de modo que reduza o consumo futuro.