O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 22/01/2023

A série americana Dr House, apresenta em todo o seu enredo a dependência de Gregory House, vínculada ao uso excessivo de opióides desde a amputação de sua perna. Os excessos de House são abordados de forma dramática ao longo da série, ilustrando bem o problema nos EUA, onde as mortes por overdose, em maioria, por opioides, chegam a ultrapassar a marca dos 100 mil por ano. O aumento do uso dessas medicações no Brasil acendeu um alerta as autoridades de vigilância, já que o problema até bem pouco tempo era só ficção vista na TV.

Em primeiro lugar, destaca-se a falta de orientação fármaco brasileira, onde a administração de medicamentos sem prescrição médica é um hábito da população, não é difícil encontrar uma mini farmácia na casa de qualquer cidadão tupiniquim. É essencial apontar, contudo, que o problema tem origem na precarização da saúde pública nacional, com histórico de difícil acesso desde antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), até mesmo depois da sua implementação e de instrumentos advindos dela como a Estratégias Saúde da Família (ESF).

É imprescindível enfatizar, ainda, que as tradições brasileiras especialmente na cultura afro e índigena, trazem um grande acervo de medicamentos naturais que muitas indústrias farmacêuticas utilizam na composição da produção desses medicamentos. Enquanto alguns valorizam os conhecimentos dos antepassados e os comprovam com pesquisas científicas multiplicando-os, outros rechaçam e consomem o mesmo composto, com um preço bem mais elevado e adicionais de variações sintéticas e semissintéticas que causam dependência.

Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde multiplique a rede de atenção a saúde do país, por meio da ampliação de ESF em todas as cidades com funcionamento inclusive a noite, facilitando o acesso da população a orientação em fármacos, em curto prazo. Além disso, é imprescindível, também, a vinculação na mídia de uma orientação quanto ao perigo do uso dessas medicações, destacando a cultura nacional, o uso de chás e ervas em substituição a fármacos em parceria com orgãos de comunidade índigenas e Quilombolas com cursos nos locais com o apoio de escolas, trazendo o brasileiro para uma realidade de conhecimentos que certamente House iria apreciar para além da ficção.