O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 09/03/2023

A Constituição Federal de 1988, documento que assegura o direito ao bem-estar como inerente a todo cidadão, facilitou a distribuição de elementos e substâncias que prolonguem a saúde e a expectativa de vida dos brasileiros. Conquanto, apesar de serem importantes para a população, tanto o uso indiscriminado de opióides presentes em analgésicos, quanto a falta de ações que atenuem o seu consumo exacerbado tornam-se empecilhos para a consolidação de uma sociedade saudável. Logo, convém analisar os fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, é evidente que o uso de opioides na produção de analgésicos é imprescindível para o tratamento de enfermidades. Nessa perspectiva, segundo o filósofo John Locke, os seres humanos estão propensos à influência do meio externo, o qual pode proporcionar a subordinação e criar mecanismos de controle e coerção. Sob essa ótica, constata-se que o uso exacerbado de opiáceos molda o comportamento dos indivíduos, causando sensações de bem-estar e induzindo a dependência e o vício, contribuindo para sua compra e consumo de maneira ilícita. Desse modo, os efeitos positivos dessas substâncias são atenuados e seu uso constante deve ser evitado.

Além disso, a ausência de medidas que restringem o consumo inadequado de opioides, por meio da exigência da prescrição médica, representa um retrocesso para a manutenção da saúde no país. Nesse sentido, de acordo com o estudo feito pela Fiocruz, aproximadamente 4 milhões de brasileiros já usaram opiáceos de maneira inadequada. Diante dessa perspectiva, observa-se que a fiscalização e a disseminação de informações tangentes ao uso inadequado de opioides, como forma de controle e expandir a construção de saberes, ainda é pouco ampliado.

Depreende-se, portanto, a relevância do uso consciente de opióides no Brasil. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação e da Cultura, por intermédio de campanhas e palestras abertas ao público geral, elucide a importância do uso racional de medicamentos e analgésicos, a fim de colaborar com o consumo coerente. Ademais, o Estado, através da implementação de leis mais rigorosas, deve controlar a disponibilidade de opioides, com o objetivo de construir um ambiente estável, caracterizado pela conscientização coletiva.