O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 17/03/2023
No século XIX, na “Guerra do Ópio”, o vício em opioides pelos chineses, somado aos interesses financeiros da Inglaterra, gerou impactos socioeconômicos graves em uma sociedade marcada pelo excesso de trabalho. No Brasil,semelhantemente, o aumento do uso de opioides está ligado ao estado mental da população e à facilidade de compra. Então, é necessário retificar a comercialização dessa droga e amenizar o atual modelo de trabalho para transpor os impactos na sociedade.
Em primeiro lugar, vale destacar que as estressantes condições trabalhistas hodiernas que exigem ,diretamente ou não, alta produtividade estão correlacionadas aos crescimento do consumo de opioides, que têm efeito analgésico e calmante. Consoante a isso, para o filósofo Byung-Chun Han, na chamada sociedade do cansaço, a demanda por alta perfomace profissional propicia o abuso de drogas de desempenho. Sob essa óptica, não está em voga o direito social ao trabalho (Art.6º) no sistema capitalista previsto pela Constituição Federal de 1988 (CF), pois não está garantida a dignidade da pessoa humana. Portanto, urge que ambientes de trabalho sejam mais salubres para a saúde física e mental no país,
Em segundo lugar, é preciso salientar que os produtores de medicamentos não deveriam privilegiar lucros, ao invés do bem-estar da população, dado o papel social da farmacologia.Infelizmente, muitos cidadãos têm se automedicado com opioides, devido à longa espera por atendimento em hospitais públicos, sendo paleativos às moléstias também. Se o cidadão não tem o seu direito à saúde pública legitimado, ele recorre aos opioides sem saber das consequências- intoxicações, vícios por exemplo-,por isso,o Estado e a indústria farmacéutica não podem se eximir disso. Sendo assim, é imperioso zelar pela saúde pública.
Logo, cabe ao Conselhos Regionais de Psicologia, propiciar saúde mental aos trabalhadores, por meio de campanhas sobre psicopatologias e dependências químicas- direcionadas a gerentes e coordenadores responsáveis pelos recursos humanos-, a fim de que a sociedade não siga exaurida. Ademais, o Ministério da Saúde deve fomentar o bem estar social-juntamente aos produtores de medicamentos-, por intermédio do endurecimento da venda dessas substâncias paralelamente ao direcionamento de verbas a centros de saúde, objetivando concretizar o direito à saúde preventiva universal do Art.196 da CF.