O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 27/03/2023
Na série “Breaking Bad”, é apresentada a história do personagem Jesse Pinkman, que se torna viciado em heroína, tendo sua vida social afetada, bem como consequências devastadoras na saúde. Trazendo para a realidade, casos como esse tornam-se cada vez mais comuns por diversos fatores. Nesse contexto, o aumento no uso de opioides no Brasil está diretamente associado à ineficácia dos meios de comunicação na tentativa de impor conscientização social e ao mal investimento e/ou planejamento do Estado na saúde.
Dito isso, dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 5% dos recursos destinados à Política Nacional sobre Drogas são investidos em prevenção. Isso significa que a maior parte dos recursos é utilizado no tratamento de pessoas que já estão viciadas em drogas, e não para prevenir o uso dessas substâncias. Isso causa um gradual crescimento de usuários de opioides, visto que métodos de conscientização social poderiam ser eficientes, e a criação de políticas seria uma garantia legislativa de uma mudança no comportamento social.
Além disso, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas, apenas 28% dos entrevistados afirmaram que as campanhas informativas sobre drogas influenciaram em sua decisão de não usar narcóticos. A mesma pesquisa apontou que 90% dos entrevistados acreditam que essas publicidades não apresentam uma linguagem acessível, não dialogando com a realidade dos jovens. Isso sugere que elas não estão conseguindo atingir o público-alvo e, portanto, são ineficazes em seu propósito.
Por fim, cabe ao Ministério da Saúde, com o apoio do governo federal, estabelecer normas e diretrizes para a redução do uso de opioides, procurando ainda formas alternativas, mas eficazes, de tratar os pacientes. Pode-se também executar ações de vigilância nos serviços de saúde públicos e privados, visando prevenir prescrições imoderadas do uso de opioides para fins medicinais. Com o apoio de organizações não governamentais e entidades da sociedade civil, é possível desenvolver projetos de conscientização com uma linguagem mais acessível para o público jovem e ampliar o alcance das campanhas, garantindo que a informação chegue a todos.