O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 26/03/2023

O Brasil, em função do seu histórico de colonização, apresenta graves problemas sociais, dentre os quais pode-se destacar a precarização da saúde pública. Nesse contexto, o uso de opióide continua se expandindo como um câncer social, o qual potencializa a deterioração da saúde psicoemocional. Decerto, a alta lucratividade da indústria farmacêutica somado à debilidade no acesso à saúde mental no sistema público imprime desafios concernentes à garantia de bem-estar social.

Primordialmente, a elevada rentabilidade do comércio de drogas lícitas potencialmente viciantes para o setor farmacêutico potencializa o acesso em massa aos opiáceos. Com efeito, o filme “Obrigado por fumar” revela como as indústrias lucram com o comércio de substâncias com alto grau de dependência química, negligenciando os efeitos colaterais a saúde da população. De modo semelhante, é notório que o comércio de opiáceos segue o mesmo viés capitalista, investindo em produção e venda em massa para maximizar o lucro e, assim, negligenciando o aumento de celeumas sociais relacionadas ao uso excessivo de tais substâncias.

Outrossim, a carência de acesso público à cuidados com a saúde mental exacerba a procura por drogas com efeito sedativo. Nesse viés, no livro “A sociedade do cansaço”, o autor Byung-chul Han discute como o sistema competitivo junto a ideologia da positividade, na qual as pessoas são doutrinadas a trabalhar além de seus limites psicoemocionais, tem provocado um aumento significativo de doenças psicossomáticas, como depressão e burnout. Desse modo, a intensificação do uso em massa de opióides emerge como um comportamento de fuga e sobrevivencialista dentro desse sistema, no qual a saúde pública não oferece medidas alternativas e/ou preventivas de controle para tais doenças.

Em suma, a resolução dessa celeuma prescinde que o Governo - na figura do Ministério da Saúde - invista na inserção efetiva de cuidados à saúde mental na atenção primária básica, sendo amplamente difundido para todo cidadão, através da contratação de profissionais de saúde, como psicólogos e terapeutas, e da criação de programas educacionais, em escolas e empresas, sobre os efeitos nocivos dos opiáceos. Tais medidas objetivam reduzir o consumo de drogas psicoativas, como opióides. Dessa forma, o Brasil será um país que prioriza a garantia de saúde mental de sua população.