O aumento no uso de opioides no Brasil
Enviada em 08/04/2023
Sendo de fácil acesso hoje em dia, o ópio já foi disputado algumas vezes no século XIX entre a Ásia e a Europa, mais especificamente entre ingleses e chineses, nos quais os primeiros saíram vitoriosos. Essa disputa se deu por causa de seus efeitos analgésicos e por seu alto consumo no Ocidente. Contudo, quase dois séculos depois, o ópio deu lugar aos medicamentos opióides - que agora é o foco de uma crise de saúde no Brasil.
Mesmo estabilizando as políticas para drogas ilícitas, o governo acabou por deixar de lado o uso desses medicamentos, cujos índices são maiores ao serem comparados com o uso do crack, por exemplo. Um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em que foram entrevistadas 16 mil pessoas, constatou que 2,9% de brasileiros já fizeram uso de opiáceos. O número é muito superior ao dos brasileiros que já usaram crack — estes são 0,9%. Há, ainda, um fator fundamental para esse aumento: a pandemia da Covid-19. A Anvisa reuniu dados do uso de opióides: em 2020 foram comercializadas cerca de 21 milhões de embalagens desses analgésicos e apenas nos seis primeiros meses de 2021 foram 14 milhões. Sendo assim, só metade do ano, quase alcançou o consumo do ano anterior.
Entretanto, por que houve esse aumento significativo no uso desse tipo de medicação? Os opióides são analgésicos potentes usados para aliviar dores graves como as de cirurgias, cólicas renais ou tumores. O grande problema é que eles podem causar dependência. Além disso, o uso indiscriminado, sem prescrição médica, e em altas doses pode levar à morte. O abuso deles é algo comum, pois essas drogas se encontram amplamente disponíveis e provocam uma sensação exagerada de bem-estar. Existe, também, uma forte cultura de automedicação, na qual as pessoas se medicam sem passar por um especialista.
Diante disso, a Organização Mundial da Saúde indica que os médicos usem primeiro os remédios mais fracos que estejam à disposição. O Governo Federal tem por obrigação reforçar a fiscalização na distribuição desse material. Outra ação importante é a união do Ministério da Saúde com o da Educação a fim de levar informações sobre benefícios e malefícios do uso de tais medicamentos em escolas, universidades e cidades ao redor do país.