O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 16/01/2024

Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata, de forma figurada, os contratempos enfrentados pelo ser humano em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se ao aumento do uso de opioides no Brasil, visto que o grave aumento do uso de opióides pelos cidadãos brasileiros se deve majoritariamente à ineficiência pública em conter esse mal. Nessa ótica, é preciso combater a prescrição médica indiscriminada que causa o problema, a fim de mitigar as consequências à saúde da população.

Em primeiro plano, é lícito postular a ausência de medidas governamentais para reduzir a problemática. Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, todo cidadão é digno, além dos direitos e deveres que devem ser cumpridos pelo Estado, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Como caso análogo, a Anvisa divulgou dados que revelam a comercialização no Brasil, de mais de 20 milhões de analgésicos à base de ópio somente em 2020. Com base no exposto, fica visível a apelação ao uso desses analgésicos de forma irresponsável, já que geralmente a dor pode ser controlada via outros medicamentos e até por tratamentos terapêuticos, conclusão feita de forma unânime pelo Conselho de Medicina.

Em segunda análise, é válido salientar que a expansão do uso de opióides no Brasil tem implicações nocivas à saúde da população. Nesse aspecto, a Organização Mundial da Saúde alerta para os altos riscos de dependência e até mesmo de morte por overdose causados pelo uso abusivo de substâncias à base de ópio. No tocante a isso, a Constituição Federal incumbe ao Governo o dever de garantir a saúde a todo cidadão brasileiro. No entanto, a alta no número de pacientes expostos aos riscos consequentes ao uso de narcóticos mostra a inabilidade estatal em cumprir a Magna Carta. Dessa forma, enquanto se mantiver a ineficiência governamental, haverá danos à saúde pública.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com o Conselho Nacional de Medicina – órgão que normatiza a prática da profissão médica – fiscalizar a emissão de receitas nos hospitais e postos de saúde, bem como divulgar, por meio de campanhas informativas, as contraindicações do uso desnecessário e irresponsável dos derivados do ópio.