O aumento no uso de opioides no Brasil

Enviada em 22/04/2024

Logo após o fim da Era Napoleônica, a Grã-Bretanha tornou-se a nação mais desenvolvida economicamente da Europa. Visando aumentar os lucros, a Inglaterra forçou e influenciou o comércio de entorpecentes no território chinês. As reações ao consumo dessa droga provocaram problemas sociais e econômicos para a China, que sob esse cenário, precisou reagir, dando início as chamadas Guerras do Ópio. Entretanto, diferentemente das ações do governo chinês, o grave aumento do uso de opióides pelos cidadãos brasileiros se deve majoritariamente a ineficácia pública em combater esse mal. Sob esse viés, os opioides podem causar dependência e uma série de outros efeitos nos organismos de quem os consome.

Em primeira instância, segundo dados da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - a venda de opioides no Brasil cresceu 500% de 2009 a 2015, visto que, grande parte da demanda desses analgésicos é acarretada por prescrições médicas, em suma maioria, precipitadas. Com base no exposto, fica visível a apelação ao uso dessa substância de forma irresponsável, já que geralmente a dor pode ser refreada via outros medicamentos e até por tratamentos terapêuticos.

Ademais, como consequência da venda desenfreada de opioides, é notório ressaltar que, o número de pessoas que ingerem os analgésicos de forma recreativa e sem orientação médica, buscando bem-estar, cresceu abruptamente. Gradualmente, o paciente vai se tornando cada vez mais tolerante ao medicamente, até que se torne dependente. Como qualquer outro medicamento, sem orientação médica necessária, os efeitos podem ser irreversíveis e quando não mais consumidos, levam a abstinência.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado, uma ampla divulgação do consumo desenfreado dessas substâncias, visando conscientizar a população sobre os efeitos da dependência em opioides. Da mesma forma, por analogia, é proposto que o Ministério da Saúde, juntamente com o Conselho Nacional de Medicina - órgão que normatiza a prática da profissão médica - supervisionem as emissões de receitas médicas nos postos de saúde e nos hospitais, com o intuito de amenizar os impactos causados por essas drogas. Deste modo, é possível evitar o desastroso cenário que gerou as Guerras do Ópio.