O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 01/04/2020
Compreendido como uma forma de manifestação popular, o carnaval é um evento tradicional, realizado em diferentes países do mundo, a exemplo do Equador e da Suíça, e se apresenta de maneira própria em cada uma dessas variadas nações. Entretanto, essa festividade é, majoritariamente, conhecida, no âmbito internacional, como pertencente ao Brasil, território no qual se observa, devido a sua grandiosidade continental, diversos modos de exteriorização dessa festa pública, o que contribui para a formação da identidade brasileira.
Nesse contexto, o carnaval no Brasil se destaca por ser um período em que alguns estrangeiros, haja vista a fama mundial dessa folia, e certos brasileiros de distintas classes sociais se divertem e enfeitam-se, aproveitando, assim, para aliviarem os estresses cotidianos, gerado, sobretudo, pela conjuntura ideológica capitalista do século XXI, a qual, com vistas ao lucro, requer o máximo desempenho dos indivíduos. No entanto, apesar do entretenimento trazido por essa manifestação popular, sua importância na nação brasileira, centra-se, também, nas críticas sociais. Essa análise é percebida, em especial, nos carros alegóricos das escolas de samba. A título de exemplo tem-se a escola União da Ilha, do estado do Rio de Janeiro, que neste ano de 2020, apresentou um enredo pautado na dura vida nas favelas. Desta forma, verifica-se que a noção de nacionalidade é ratificada, visto que, mediante as alegorias, parte da sociedade demonstra interesse com as situações do país.
Contudo, ao passo que uma parcela do corpo social visa relatar as adversidades nacionais, outras têm por objetivo, implícito, potencializa-las. Essa fato, pode ser notado pelo fenômeno da “camarotização”, que consiste na separação física entre indivíduos da sociedade, em virtude das suas condições financeiras. Segundo informações do portal de notícias “G1”, durante o carnaval, muitos camarotes dos estados do Rio de Janeiro e de Salvador, por exemplo, possuem valor cerca de duas a três vezes um salário mínimo. Isso corrobora para aumentar a segregação social - simbolizando a realidade histórica do Brasil - e, consequentemente, torna a festa popular menos democrática.
Portanto, visando diminuir a discriminação social brasileira e reverter, mesmo que de modo restrito, esse quadro histórico, cabe aos governos estaduais, por meio de parceria com empresas privadas responsáveis pelos camarotes de carnaval, um acordo na disponibilização dos ingressos aos indivíduos. Neste trato, o acesso aos bilhetes de entrada às cabines particulares tem de ser feito de modo equitativo, ou seja, os indivíduos devem pagar um valor no ingresso, conforme a sua renda mensal. Assim, a democracia e a cidadania no país permanecerá, nestes pontos, assegurada.