O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 16/02/2020

Surgido como manifestação popular por intermédio da secção cativa brasileira, as atividades carnavalescas apresentam-se como práticas mediadoras da integração e da manutenção da união nacional, bem como símbolo característico da tradição brasileira. Embora traga uma ideia de integridade, as festas carnavalescas hodiernas compõem-se de medidas segregacionistas, antidemocráticas e contribuem para a reafirmação de problemas sociais brasileiros enraizados na cultura nacional, mormente o que tange violência e abusos, devido a insuficiências governamentais e carência de esclarecimento social. Logo, uma manifestação que visava à integração nacional transformou-se em produto da sociedade do espetáculo e da constância de problemáticas sociais.

Tal qual os postulados do Manifesto Antropofágico, criado por Oswald de Andrade em meados da Semana de Arte Moderna Brasileira, a gênese carnavalesca traz, intrinsecamente, uma digestão das polcas europeias fundidas a manifestações populares veiculadas pelos escravos. Ainda que carregue uma atmosfera de justaposição e união nacional, é visível que houve uma inversão de motivos para a constância da festa, uma vez que intenta o alcance midiático, oferecendo o feriado como produto da fomentação da economia brasileira. Dessa maneira, visualizam-se os rumos contraditórios tomados pelo carnaval brasileiro.

A venda do feriado pela Indústria Cultural implica em uma segregação das parcelas mais carentes da população, cuja impossibilidade de comprar ingressos para o acesso à mercadoria supracitada expõe-na como antidemocrática e aristocrática. Mesmo que busque passar uma imagem de símbolo da união social, o carnaval não só segrega grupos minoritários, como também contribui para a continuidade de violências e abusos, os quais mantêm-se velados a fim de não estragarem os feitos da indústria cultural e da movimentação financeira do país nessa época do ano. Assim, constatam-se as problemáticas carnavalescas tão pouco difundidas pelos meios midiáticos.

Destarte, intencionando o retorno do carnaval como símbolo verossímil da nacionalidade brasileira tal qual o Manifesto Antropofágico, é mister que a mídia apresente ao público o significado do feriado para a história nacional, dando início a festas mais acessíveis a toda a população, a fim de evitar um carnaval segregacionista e totalmente voltado à Indústria Cultural. Outrossim, que o governo, em concordância com órgãos sociais, gere palestras e campanhas relacionadas à violência e ao abuso no carnaval, visando o esclarecimento populacional, além de inserir policiais que aumentem a segurança da comunidade. Isso posto, haveria o resgate do carnaval brasileiro a sua prática primordial de integração nacional.