O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 01/03/2020

Segundo o Infopédia Dicionários, o Carnaval é a festa popular que precede o início da Quaresma, com desfiles e divertimentos típicos, nos quais os participantes usam máscaras e vestem trajes diversos. Esse evento, longe de ser uma expressão cultural exclusivamente brasileira, possui motivações que ultrapassam tanto o território nacional e sua identificação com um único povo, como os aspectos psicossociais, quanto as questões socioculturais de uma nação, como os interesses econômicos.

A necessidade humana de liberar seus impulsos primitivos é latente, universal e constitui uma das forças motrizes que impulsionam esse movimento popular. Evidência desta universalização é a presença contemporânea do Carnaval em diversos países e continentes do globo. Conforme os sites mundoeducação.bol.uol.com.br, brasilescola.uol.com.br e turismo.ig.com.br, esta festa ocorre em países da América do Sul como Brasil, Colômbia e Equador, da América do Norte, como EUA e Canadá, da Europa, como Alemanha e Itália e também possui representação na Ásia, com o Japão.

Por outro lado, a ideia de Carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira, oculta ânsias muito mais econômicas do que de fortalecimento do ideário nacionalista. Dado o altíssimo preço corrente dos ingressos versus a desigualdade social brasileira coetânea, esta manifestação cultural segrega muito mais do que contribui para constituir uma unidade de ligação entre um povo. Esta triste constatação revela-se ainda mais contraditória à luz dos elevados investimentos públicos destinados a esse festejo que nada parecem acorrer para a inclusão das periferias no evento bilionário. De acordo com o site diariodorio.com, em 2019 os setores de comércio, hotelaria e serviços faturaram R$ 3,78 bilhões durante os 4 dias de carnaval.

Dessa forma, remata-se que o Carnaval do século XXI, eclipsa por meio do fetiche sociocultural nacional que dissimula, uma ideologia econômica de acumulação financeira e segregação social. Cabe ao Estado produzir políticas efetivas para a inclusão das massas brasileiras neste evento popular, por meio da promoção de bilhetes de acesso subsidiados à folia que atualmente financia. Isso pode ser realizado através da exigência de reserva de ingressos gratuitos ou de meia entrada em quantitativo que atenda ao público alvo e ao objetivo inclusivo nos editais de fomento financeiro que realiza ao evento. Espera-se, com isso, que o Carnaval, mais do que simbolizar a sociedade brasileira, retrate de fato a mesma, por meio da inserção de representantes de todas as classes sociais.