O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 20/02/2020

O carnaval tem sua origem na antiguidade com festas aos deus, onde se permitia uma alteração na ordem social, em uma sociedade altamente hierarquizada. Embora seja conhecido como o país do carnaval, o Brasil não é único à comemorá-lo de forma intensa. Entretanto, a festa se popularizou e hoje, no século XXI, é imprescindível para a construção da nacionalidade brasileira. Além disso, as escolas incrementaram cada vez mais o samba como a música simbólica da cultura nacional, apoiado pela matriz afro-brasileira, da qual se principiou.

Muito tem-se falado sobre a estrutura gerada pelo festival, em que propicia a união entre povos de diferentes classes sociais e inúmeras relações distintas de poder. O encontro de pessoas em muitos lugares espalhados pelo país nessas datas comemorativas, abre alas à minimização das diferenças, configurando o espaço geográfico e permitindo o contato entre pessoas de etnias diferentes, línguas diferentes, seja rico ou pobre, religioso ou não; e mudando parte do cenário intolerante, provocado pela diversidade. Portanto, não se pode deixar de salientar, que com a popularização acentuada, a tendência é que a alta cúpula econômica altere a dinâmica festiva, saindo das ruas e se transformando em grandes centros comerciais, com preços elevados e uma camarotização da sociedade, favorecendo apenas os mais dotados economicamente.

De acordo com o ministério da cultura, o carnaval é um dos feriados que mais aquecem o mercado nacional, seja pelo turismo ou pelo alto preço dos ingressos pagos pela população, o que nos faz refletir sobre a realidade da inversão social. Atualmente, os famosos bloquinhos estão sendo substituídos pelo evento fechado que abriga a maior parte da fina flor e exclui os marginalizados. Por outro lado, a ideia das comemorações é também dar voz à aqueles que através de fantasias são representados, e de forma crítica, na maioria das vezes, podem se sustentar e crer que não estão sozinhos, como os índios e os afrodescendentes, que além de serem os introdutores do samba e do carnaval, tanto sofrem discriminações e preconceitos diários pela sua etnia.

Em suma, o berço do samba e das lindas canções não pode ser deixado ao equívoco. É de total importância incentivar o carnaval de rua e o singular encontro dos povos, para que a tolerância seja pregada da maneira mais influente possível, que é na brincadeira e nas festanças. Promover o investimento em campanhas publicitárias e com incentivo financeiro para apropriar cada vez mais o samba e a cultura afro-brasileira na mentalidade dos brasileiros, incentivando-os a reconhecer a sua nacionalidade miscigenada e pluralizada, diminuindo o mal do século, que é o preconceito. Somente com campanhas e incentivos será possível preservar a cultura do país das maravilhas.