O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 28/02/2020
Hodiernamente, estudiosos da Antropologia conceituam o substantivo “cultura” como tudo o que é criado pelo Homem, sendo representada por monumentos e documentos (cultura material) ou cantigas e festas (imaterial). Como exemplo dessa última, temos o Carnaval, característica e marcante festividade brasileira que, além de atrair estrangeiros para o território, é crucial para identificação cultural do país internacionalmente, pois anuncia parte da personalidade rica e saudosa do brasileiro em geral. No entanto, faz-se necessário discutir os limites dessa representação: Quanto do Carnaval caracteriza o Brasil? A associação contínua da festa à nacionalidade apresenta uma faceta descrédita?
Antes de mais nada, é importante salientar a diversidade cultural do evento desde sua origem: fragmentos de diversas etnias contribuíram para o Carnaval que é celebrado atualmente (o samba, de herança africana, e a relação com o catolicismo dos europeus, são exemplos). Similarmente, a população brasileira é tão miscigenada quanto; o antropólogo, Darcy Ribeiro, descreveu em seu trabalho a presença de cinco “Brasis”, explicitando assim, a multiplicidade de culturas no país. Conquanto, essa semelhança na “pluralidade”, não garante plenamente que todos os “Brasis” de Ribeiro são representados na festa. As diferenças dentro da nação são tão poderosas, se não mais, que as equivalências. Dessa forma, torna-se superficial e falha a representação de uma nacionalidade riquíssima em um um único evento, sobretudo ao ser considerado singular referência da nacionalidade.
Não obstante a expressão cultural, em razão da vaga e turva imagem do brasileiro intermediada quase unicamente pelo Carnaval (e, frequentemente, pelo futebol) Brasil afora, as riquezas culturais, naturais e potenciais políticos não são devidamente valorizados pelos estrangeiros e, muitas vezes, nem sequer pelo próprio povo brasileiro. Pelo contrário, a exclusiva e cansativa configuração carnavalesca exibida, empobrece os créditos de áreas como a ciência, por exemplo, pois internacionalmente não sustenta-se um perfil intelectual o bastante para atrair investimentos, mesmo que o potencial em tal setor seja imenso. Sobre isso, o poeta brasileiro, Renilmar Fernandes, disserta: “Não se pode esperar muito de pessoas que vivem de futebol, carnaval e televisão.”
Dessarte, verifica-se a necessidade de ampliar a valorização das diversidades brasileiras e suas riquezas. Para isso, o Ministério da Cidadania deve promover eventos culturais e intelectuais nos grandes centros em época de Carnaval, atribuindo parte da verba do evento citado, com o fito de que turistas estrangeiros e nativos tenham maior acesso aos patrimônios brasileiros, até então, pouco reconhecidos. Ademais, a promoção e divulgação de pesquisas científicas brasileiras pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, aumentará a credibilidade da nação como potencial grande centro tecnológico.