O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 27/02/2020

O carnaval se liga ao campo imaginário de múltiplas possibilidades, uma das prováveis causas da propagação, entre os brasileiros do século XXI, da ideia de que o ano só começa depois do seu término. Nessa perspectiva, percebe-se a promoção do nacionalismo que só pode ser compreendida a partir da consideração da condição de reconhecimento gerada pela construção social e histórica dessa celebração, mas levando em consideração o caráter inconsequente e hedonista de toda uma nação também revelado por ela.

Primeiramente, observa-se a construção histórico-social de identificação da sociedade brasileira com o carnaval. Esta festividade foi trazida ao Brasil ainda no período colonial e conseguiu manter-se viva com o passar de séculos aderindo à miscigenação característica do povo brasileiro. Desse modo, herdou contribuições de diferentes raças - como o afoxé e o frevo, manifestações africanas – e criou uma sensação de reconhecimento individual. Alcançando, assim, a consolidação do seu status como símbolo nacional, sob o governo populista de Getúlio Vargas, a sua aderência indireta como cultura imaterial da nação pela constituição de 1988 e sua resistência como manifestação artístico-cultural de um povo.

Entretanto, a compreensão do festejo como período de libertação do indivíduo em relação às preocupações cotidianas tem evidenciado o caráter hedônico enraizado na sociedade brasileira. Isto é, a analise do caos instituído em sua duração, bem como a indiferença dos jovens em relação às consequências das atitudes tomadas nas festas revelam a busca pelo prazer momentâneo que sufoca a visão do resultado de suas ações. Logo, nota-se um aumento exponencial nos casos de gravidez indesejada e aquisição de ISTs no período do carnaval. Em contrapartida, crescem também as brincadeiras no meio digital em relação a estes dados, encobrindo a seriedade do problema.

Depreende-se, portanto, a atuação da mídia em parceria com o Ministério da Cultura através de campanhas publicitarias que divulguem a história da formação de diferentes heranças culturais carnavalescas, por meio de reportagens televisivas em horários nobres bem como a introdução dessas histórias em gibis infantis, como a turma da Mônica, para democratizar o conhecimento, visando alcançar o diferentes públicos brasileiros. Além de campanhas midiáticas com celebridades de visibilidade nacional, como Whinderson Nunes, montados através de relatos e dados que crescem em relação àqueles atingidos por ISTs, direcionada aos jovens para minimizar a recorrência de ações inconsequentes como sexo sem proteção e enfatizar a preocupação que deve ser tida com a problemática.