O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 28/02/2020
O Barroco, desenvolvido no século XVII, é a expressão artística de uma época marcada por contradições, dúvidas, desequilíbrio e instabilidade humana diante das transformações do mundo. Analogamente, o Brasil contemporâneo mostra-se um país de oposições, uma vez que o carnaval – embora influenciado pelo entrudo praticado por escravos – tem se tornado cada vez mais um símbolo da aristocracia. Com isso, fatores contribuem para a perpetuação dessa problemática: a desvalorização da história do carnaval e a segregação existente na sociedade civil. Por conseguinte, hão de ser analisados tais entraves, a fim de solucioná-los com eficácia.
Em princípio, é imperioso destacar a pouca importância dada às origens e funções sociais do carnaval pelo sistema educacional da nação. Nesse contexto, segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a prática da educação deve representar uma luta em prol de formas de conhecimento, habilidades e relações sociais que promovam as condições para a emancipação da sociedade. Entretanto, a abordagem tradicional de ensino-aprendizagem – escassa, por exemplo, em experiências escolares voltadas ao estudo da história do carnaval e entendimento das escolas de samba e dos blocos de rua não só como manifestações artísticas e culturais, mas também sociais e políticas – dificulta a estruturação de uma consciência estudantil. Logo, é substancial a superação desse método arcaico de educação brasileira.
Ademais, é importante pontuar o fenômeno da “camarotização social” como um responsável pela dissolução de características originais do carnaval, como o fato de ser plural e democrático. A esse respeito, de acordo com o filósofo francês Jean Baudrillard, a lógica do consumo se baseia exatamente na impossibilidade de que todos consumam e, consequentemente, gere diferença de “status”. Desse modo, verifica-se que, ao contrário do entrudo (marginal e inclusivo), as manifestações carnavalescas contemporâneas transparecem diferenças por intermédio de rótulos sociais, a exemplo de camarotes e abadás acessíveis à minoria. Assim, faz-se mister a reformulação desse “apartheid social”.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se valorizar o carnaval como símbolo nacional. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação civil – reformular a abordagem de ensino-aprendizagem vigente nas escolas brasileiras. Tal ação deve ser realizada por meio do fomento ao Projeto Político Pedagógico (PPP), que inclua o debate acerca da história do carnaval e de sua importância para a sociedade – conduzido por profissionais capacitados (professores de história e artes) –, com o fito de contribuir no desenvolvimento de cidadãos críticos e emancipados. Dessa forma, será possível “dissolver” o contraste existente na sociedade contemporânea.