O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 19/02/2020

José Hebert de Souza, sociólogo brasileiro, aponta que o desenvolvimento humano só ocorrerá quando a sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, liberdade, solidariedade, diversidade e participação. Entretanto, mesmo sendo o carnaval um formador da nação brasileira, vê-se por necessária avaliar os avanços e regressos este patrimônio cultural adquiriu ao longo dos anos.

Em uma primeira análise, deve-se afirmar como símbolo de uniformidade do povo brasileiro o carnaval. A partir disso, deve-se compreender que tal símbolo, que possui origem africana, aplicado como elemento cultural de historicamente racista foi de grande importância nas lutas contra essa causa, sendo, portanto, aliada no combate ao preconceito e reafirmando as origens do brasileiro. Dessa forma, compreender o poder do carnaval para além de eventos econômicos é de grande valia.

Entretanto, é notório observar ainda que, ao longo dos anos o sucesso econômico do carnaval nos âmbitos nacionais e e internacionais mudaram o eixo principal do festival. Com isso, observa-se a acentuada elitização da festa, em que conta com altos preços de abadás e camarotes, propiciando a segregação socioeconômica em certos eventos e regredindo no processo de inclusão social oferecido pelo festivo, além de invalidar o título de maior festa popular do mundo dada ao carnaval. Dessa maneira, é necessário uma reavaliação do objetivo do carnaval na atualidade.

Fica claro, portanto, que o símbolo nacional brasileiro perde a cada ano seu título originário, sendo necessário mudanças. Por isso, o Superministério da Cultura deve impor medidas que visem o retorno da inclusão social do carnaval, por meio de programas nacionais que objetivem mostrar a origem do carnaval e suas raízes, para que as novas gerações possam ter conhecimento não só das origens do carnaval, como também das suas próprias. Além disso, é imprescindível destacar a necessária mudança dos preços no carnaval. Deste modo, o Legislativo deve criar leis que exijam das instituições privadas uma redução no valor dos produtos ofertados, por meio da comprovação de baixa renda, para que se extingua a exclusão socioeconômica neste evento de caráter nacional.