O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 18/02/2020
Comemorado todos os anos entre os meses de fevereiro e março, o carnaval é mundialmente conhecido pela sua exuberância, fazendo com que o Brasil seja o destino de muitos estrangeiros durante as comemorações nos cinco dias que marcam a folia. Historicamente, o seu surgimento remonta ao período do Brasil colonial, sendo que ao longo dos anos essa tradicional festa foi se modificando. Das ruas passou aos salões suntuosos com os bailes de máscara, ganhando ares de luxo entre a aristocracia brasileira, em especial a carioca. As marchinhas, tão conhecidas, foram incorporadas durante o século XX e o samba, ganhando status de referência de musicalidade brasileira, se tornou ritmo oficial permanecendo até hoje. Contudo, a construção do carnaval como um símbolo do Brasil, tem seus prós e contras sendo necessário uma análise profunda sobre os seus impactos no país.
O carnaval gera todos os anos uma receita de milhões de reais, movimentados entre o turismo, tanto entre os brasileiros quanto os estrangeiros, além dos empregos informais de ambulantes espalhados pelas ruas e de praticamente todos os setores industriais que prestam serviços. Porém, grande parte dessa receita é estimulada pela injeção de milhões de reais na realização de tais festejos, como na contratação de trios elétricos e montagem de estruturas, sendo o governo brasileiro o maior financiador.
Do outro lado da moeda, temos o aumento dos gastos públicos, os elevados índices de acidentes de trânsito e brigas por embriaguez, casos de assédio, além da alta alarmante nos casos de IST’s ( infecções sexualmente transmissíveis). Outro ponto importante a ser analisado é que o carnaval, como uma grande indústria de entretenimento, visa gerar lucros e aumentar a receita, e para isso dispõe de artimanhas como as vendas de ingressos para camarotes badalados e abadás caríssimos, sendo muitas vezes uma festa segregadora ao invés de inclusiva, já que a maior parte da população não tem acesso a tais benefícios.
Assim sendo, para que o carnaval passe a ser mais democrático é imprescindível que as empresas privadas e o governo ajam, através da abertura de espaços seguros para que todo cidadão possa usufruir da festa, caso queira, além do fortalecimento de campanhas de conscientização do abuso de álcool e uso de preservativos. Nesse sentido, é necessário ações conjuntas do ministério da cultura e da saúde para que o carnaval continue movimentando a economia do país e resista como simbolo sem que hajam gastos exorbitantes e a receita pública para investimentos em áreas de prioridade como educação e saúde não sejam dessa forma negligenciadas.