O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 21/02/2020

Graciliano Ramos, escritor, disse, durante 1930, que a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano. De fato, essa festividade é símbolo da nacionalidade, no Brasil, ainda no século XXI. Todavia, apesar de ser uma tradição na qual a liberdade é exaltada, tornando-se, por isso, política, ela é prejudicada pela persistência de preconceitos, os quais mostram que a comemoração não é tão integrada quanto parece.

Em primeira instância, é necessário ressaltar que o carnaval é uma forma de resistência social. Hodiernamente, alguns festeiros aproveitam a oportunidade para criticar de modo satírico, por meio das fantasias ou músicas, situações contemporâneas, comumente relacionadas à política. Essa característica, no entanto, não é recente, posto que, em 1942, por exemplo, Afonso Teixeira escreveu “Quem é o tal?”, canção que debocha de Hitler, na época em que o presidente, Vargas, tinha certo alinhamento fascista. Dessa forma, percebe-se a importância social do carnaval, visto que permite aos brasileiros expressarem suas opiniões e exercerem a cidadania de forma conjunta. Trata-se de uma festa, portanto, que alia protesto à diversão.

Em segunda instância, deve-se considerar que, infelizmente, o carnaval não é democrático. Como exemplo, em 2017, segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, denúncias de agressão contra esse gênero subiram 90%, em relação ao ano anterior, durante os dias de festa. Embora o preconceito não seja um problema exclusivo do carnaval, este é uma comemoração que exalta a liberdade de expressão e a exposição física numa sociedade que historicamente é discriminadora e patriarcal. Isso faz com que a parcela já marginalizada da população - como mulheres, negros e LGBTs - seja o principal alvo de violência. A folia carnavalesca segura é, diante disso, para poucos.

Destarte, é necessário que a ideia de Graciliano Ramos não se perca, ou seja, que o carnaval continue relevante para a identidade nacional. Para isso, é necessário aliar o tom político da festa às reivindicações por respeito das minorias, a fim de gerar uma comemoração democrática. Em prol disso, O Ministério da Cidadania deve se aliar aos famosos engajados socialmente, como a cantora Pablo Vittar - ativista LGBT - em uma campanha, veiculada na televisão e na internet, a qual vise informar os cidadãos sobre a história da festa, a necessidade de se respeitar as pessoas, as formas de denunciar caso sofram alguma forma de violência. Assim, essa festa será, de fato, símbolo da nacionalidade brasileira.