O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 27/02/2020
O carnaval, símbolo da nacionalidade brasileira perante o cenário internacional no século XXI, é uma festividade que atrai todos os anos milhares de turistas e movimenta a economia nacional. Entretanto, tem-se a falsa ideia de que esse é evento democrático e acessível a todos, uma vez que as mídias mostram foliões com números altíssimos de pessoas. Com isso, a elitização dos desfiles, especialmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador e a inércia do governo frente a essa problemática são os motivadores para perpetuação de disparidades entre os cidadãos.
Em um primeiro plano, é inegável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. É importante salientar que a Constituição Federal de 1988, no seu Artigo 6º, garante a todos os brasileiros o lazer como um direito. No entanto, os altos custos para compra de abadás e ingressos estão entre os fatores pelos quais a maioria da população das classes média e baixa não conseguem participar desse movimento tradicional, que muitas vezes recebe auxílio financeiro do poder público. Logo, é inadmissível que o governo colabore com esse tipo de segregação, haja vista o fato de trazer à tona a intensa discriminação sofrida pela população pobre que se encontra enraizada na sociedade.
Em um segunda análise, os desfiles carnavalescos e os blocos com trios elétricos comandados por famosos, tais como Cláudia Leite e Ivete Sangalo são exemplos claros da elitização dessas festas, além das alegorias caríssimas vestidas por rainhas de bateria nas avenidas. Não raro, as redes sociais e os programas de televisão mostram os camarotes com preços exorbitantes compostos por celebridades com patrocínio de diversas empresas, inclusive de cervejas. Com efeito, a maioria esmagadora da população frequenta foliões com fluxo intenso de pessoas, o que aumenta a incidência de doenças infecto contagiosas, promovendo aumento nos gastos públicos com saúde. Dessa forma, é inaceitável que essa prática persista na contemporaneidade e deve ser rigorosamente combatida, porque promove a separação de classes sociais no Brasil.
Fica claro, portanto, que medidas são necessárias a fim de atuar no combate à discriminação da sociedade mais carente no carnaval, para que ele de fato possa tornar-se um símbolo do Brasil, representando a igualdade de seu povo. Para tanto, cabe ao governo federal, em parceria com as organizações de eventos, promoverem a democratização do acesso as festas, por meio do barateamento dos preços de ingressos e abadás, para que esses possam ser compatíveis com a renda dos brasileiros, para que eles possam se sentir parte integrante da sociedade na participação efetiva desses nas diversas representações culturais que o carnaval possui.