O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 20/02/2020

Grandes tradições tragas ao Brasil pelos africanos, quando praticadas, eram consideradas ilegais do ponto de vista português. Parte das proibições impostas pela coroa eram embasadas no aspecto religioso cristão do século XV. Na esperança de não deixar sua cultura morrer pela opressão e humilhação da escravidão, os africanos tinham de praticas seus ritos às escondidas.

Com o decorrer do tempo, algumas praticas afro-brasileiras foram tomando destaque entre os populares, como o carnaval, por exemplo. Ainda no século XX, o carnaval era considerado uma festa popular e democrática aonde todos possuíam os mesmos direitos, ao irem às ruas, e a mesma vontade de festejar. No entanto, no século XXI tal evento virou uma marca nacional que representa o jeito brasileiro de ser alegre e festeiro, na visão estrangeira. O Brasil possui muitas cicatrizes causadas pela colonização seguida pela escravidão de povos indígenas e africanos que são refletidas nos tempos de hoje na busca pela sua identidade, algo que seja original e bem visto aos olhos internacionais. Tal aspecto nunca foi tão evidente como na sociedade brasileira atual que pode ser muito bem representada pela teoria do filósofo Zigmut Bauman sobre sociedades líquidas na qual, nenhum relacionamento é realmente honesto e onde as pessoas se preocupam em como são vistas pelos outros. Contudo, “carnaval” também deixou de ser uma festa democrática e, como tudo que faz sucesso, foi adquirido pelo capitalismo de uma forma totalmente exploratória evidente aos olhos de quem sabe enxergar.

Por fim, mesmo no meio de tantas crises econômicas e políticas, o carnaval acaba sendo uma excelente saída para o movimento da economia e contribuindo para o turismo que, por sua vez, ajuda a gerar empregos. No meio de tanto caos, os foliões, sem perceber, contribuem de maneira extremamente rica para a autodescoberta da identidade brasileira apenas indo fantasiados às ruas.