O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 29/02/2020

O personagem principal da tela “Abaporu”, da pintora modernista Tarsila do Amaral, apresenta uma grande disparidade entre suas dimensões. A cabeça minúscula em contraste com o corpo imenso expõe a ausência de senso crítico de alguns brasileiros do século XX. Entretanto, a insuficiência de de discernimento daquela época perpetua até os dias atuais e tem propiciado o surgimento de novos problemas como a falta de aceitação do carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira. Por esse viés, cabe analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão no país.

Inicialmente, vê-se que o Poder Público se apresenta omisso ao não garantir que o carnaval continue sendo um símbolo da nacionalidade brasileira. Isso porque existe uma deficiência no processo de educação, uma vez que não é ensinado para os discentes a importância dessa festa para perpetuação das diferentes expressões culturais brasileiras, como exemplo o carnaval da Bahia que relembra sua ancestralidade africana e o de Pernambuco que conserva seus ritmos, tais como o frevo e o maracatu. Logo, percebe-se que o bem-estar de toda a coletividade não tem sido assegurado pelo governo, o que demonstra, com isso, a violação da Constituição Federal de 1988, que garante a todos o direito à educação e à cultura.

Além disso, constata-se que a privatização do carnaval é uma representação das concepções enraizadas na sociedade. Sabe-se, pois, que, ao longo do tempo, há uma tendência de marginalizar o carnaval de rua, já que isso acontece em virtude da existência de estereótipos de que ele é culturalmente inferior devido à participação de pessoas de baixa renda nesse tipo de festejo, o que teve como consequência a criação de blocos fechados e camarotes. Esse fato pode ser elucidado, tomando como base os estudos filosóficos de Friedrich Nietzsche, posto que, segundo ele, a falta de informação faz com que as pessoas criem opiniões deturpadas da realidade.

Convém, portanto, ressaltar que a falta de aceitação do carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira deve ser superada. Para isso, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, o ensino, nas escolas regulares, sobre a importância do carnaval para a perpetuação da cultura do distinto povo brasileiro. Ademais, deve haver conscientização da população, através de campanhas midiáticas promovidas pelo Ministério da Cidadania, sobre a importância do carnaval de rua para a democratização do acesso à uma das festas que representa o Brasil e sua diversidade, a fim de que reconheçam sua visão limitada de que ele é inferior, para, em seguida, desconstruí-la. Desse modo, a falta de criticidade poderia ficar restrita ao personagem da obra modernista de Tarsila do Amaral.