O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 01/03/2020

Em 2011, o filme “Rio” demonstra no Rio de Janeiro o esteriótipo positivo, o da terra do carnaval, do samba e do futebol que o Brasil tem na imprensa internacional. Com isso, fora das telas essa é a realidade de substancial parcela da sociedade brasileira, esta que valoriza o carnaval e não se impõe a limites. Nesse sentido, a falta de plenitude do brasiliano e a manobra midiática usada para influenciá-lo há de ser discutida.

A princípio, a natureza do ser humano é incompleta e ele busca a todo custo uma identidade nacional. Desse modo, Fernando Pessoa - um dos principais poetas e pensadores do século passado - criou o conceito de Heteronímia, para mostrar que o indivíduo moderno é fragmentado e incapaz de alcançar a plenitude. Logo, podemos citar esse conceito de Fernando e interligá-lo a essa necessidade do povo brasileiro de se libertar durante o período carnavalesco das suas obrigações morais e sociais que são impostos pela sociedade. Assim, enquanto essa imposição de valores se mantiver, o povo brasileiro sofrerá fragmentado.

De outra parte, há de se desconstruir a alienação que o período de festejos proporciona. A esse respeito, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o termo de Indústria Cultural, segundo a qual a mídia veicula conteúdos de forma constante e persuasiva, a fim de orientar o comportamento da sociedade. Dessa forma, a mídia ajuda a construir um mundo idealizado pelos detentores do poder, como descreve Adorno, onde as pessoas são segregadas pelo nível social, criando uma cultura de pão e circo como na Roma antiga.

Para que o espírito nacional do carnaval seja livre, cabe ao Ministério da Saúde realizar atividades e consultas, junto com psicólogos, com a promoção de cuidados para as pessoas fragilizadas mentalmente, a fim de restaurar a sua plenitude, que Fernando fala no termo de Heteronímia. Outrossim, as redes midiáticas devem agir de forma igualitária e solidária para que os indivíduos se comportem como quiserem, objetivando não excluir e que as pessoas fiquem livres de influências externas da indústria.