O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 21/02/2020

No documentário “Estou me guardando para quando o carnaval chegar” o cineasta Marcelo Gomes retrata o impacto socioeconômico causado pela chegada do carnaval na cidade de Toritama, Pernambuco. Assim como no agreste, todo país revela grande apego por essa época do ano, a qual, além de data comemorativa, tem se tornado uma importante vertente da economia nacional, uma vez que o movimento em massa da população e dos turistas em prol das festividades gera lucros milionários ao comércio de todo país. Nesse sentido, observa-se que o carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI apresentada um cenário cada vez mais representativo da cultura local, mas que está se tornando uma forma de segregação seja a partir da sua mudança de finalidade histórica, seja pela magnitude que tem adquirido na esfera político-econômica tupiniquim.

Mormente, ao analisar essa comemoração por um prisma estritamente histórico, nota-se que, já na época do entrudo no período colonial, havia o começo de uma mobilização em torno dessa festa popular, a qual, desde então, vem crescendo e dominando o cenário como principal festividade do país. De forma que, hoje, a cultura brasileira possui no contexto internacional uma imagem intrinsecamente ligada ao carnaval e sua simbologia de nacionalidade. Contudo, não apenas das imagens vendidas lá fora o carnaval é feito, mas também de uma festa em que o cunho político e social que tem a tornado cada vez menos democrática, visto que os centros estão direcionados à elite consumidora dos caros camarotes e abadas, enquanto as demais classes sociais têm perdido seu espaço na comemoração.

Em conjunto, cabe ressaltar que essas complexidades se instauram no caos estrutural relacionado a preceitos econômicos de financiamento das exclusividades para elite pela própria organização de poder. Nesse sentido, constata-se que o descaso com a população de baixa renda reflete um efeito dominó que parte da dificuldade dessa em conseguir postos de trabalho em busca do básico para sobrevivência e que alcança a negligência das mentalidades políticas ao utilizarem os impostos da maioria para custeamento de luxos para uma minoria. Assim como retrata o documentário supracitado, a população carente do Brasil que participa do carnaval trabalha durante todo o ano para arcar com os custos, cada vez maiores, dessa época.

Portanto, à luz dos fatos mencionados, torna-se imperativo que o Ministério da Cultura, em parceria com recursos midiáticos, elabore projetos e políticas, em âmbito nacional, com o intuito de combater a elitização que permeia o carnaval e restaurar o teor democrático dessa festa. Isto pode ser feito com o uso de “Merchandising Social”, por meio da criação de personagens fictícios que atinjam a população em seu horário nobre e ressaltem a importância da participação popular no fortalecimento dessa simbologia histórica, uma vez que evidencia a identidade brasileira através dessa festividade tão abrangente.