O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 23/02/2020

É difundido entre os brasileiros o senso comum de que o ano se inicia a partir do Carnaval, a principal manifestação cultural do país. Essa idealização expressa a relevância da festividade não só para a população, mas também para os setores econômico e político, já que o turismo e medidas públicas são estimuladas. Embora a tradição de origem afro-brasileira pressuponha a integração da pluralidade étnica, racial e de gênero, o acesso à dita festa popular não é garantido a todos. Dessa forma, é imperioso possibilitar à toda a população a participação na sua própria tradição.

À princípio, cabe ressaltar que o direito ao lazer é assegurado pela Constituição do Brasil. No entanto, a centralização e privatização dos blocos carnavalescos excluem da comemoração a juventude e os trabalhadores de regiões periféricas e de baixa renda. A diversão, assim, é de fácil acesso apenas à parcela da sociedade com poder aquisitivo suficiente para custear o transporte e os abadás que garantem o ingresso aos blocos com trios elétricos. Portanto, mostra-se danosa a não efetivação do preceito constitucional pelos órgãos competentes.

Além disso, consoante ao escritor alemão Bertold Brecht, todas as manifestações artísticas contribuem para a arte de viver. Desse modo, deve-se analisar que a celebração do Carnaval em blocos de rua é um convite à cidade e um símbolo de pertencimento social. Com isso, constitui uma oportunidade para que grupos marginalizados se fortaleçam e desconstruam esteriótipos que reforcem a discriminação, por meio da liberdade de expressarem-se, bem como de políticas públicas que promovam o respeito, como por exemplo, campanhas que visam combater o racismo e a violência de gênero.

Diante disso, é notório que a tradição carnavalesca é inerente à nacionalidade brasileira e, por isso, deve ser democratizada. Logo, é imprescindível que o Governo Central imponha ações aos seus órgãos e ramificações, como a Secretaria da Cultura e os governos estaduais, objetivando efetuar o direito constitucional de todos os brasileiros ao lazer. Essas medidas devem ser feitas por meio da descentralização e gratuidade das festividades culturais de Carnaval, oferecendo infraestrutura e segurança para a realização dessas em todas as regiões do país, com o fim de acessibiliza-las a todos os brasileiros, independente da renda, do gênero ou da cor. Dessa maneira, o Carnaval representará todo o Brasil.