O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 26/02/2020
No período colonial, a prática carnavalesca já era comum entre os escravos brasileiros, que buscavam uma forma de preservar sua identidade. Assim, o interesse dessas primeiras manifestações culturais estava em satisfazer as necessidades humanas de conservar sua história. Contudo, é lamentável constatar que as festividades tornaram-se aristocráticas, o que acaba por inviabilizar o carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI, não só devido à segregação social que provoca, como também ao predomínio dos interesses capitalistas.
Nesse sentido, a distinção social - evidente nas festas de carnaval- acaba por se tornar um obstáculo ao símbolo da nacionalidade, já que tal conceito deveria retomar a ideia de unidade. Nesse cenário, o sociólogo francês Pierre Bourdieu defendeu que as práticas culturais estão relacionadas às posições sociais do indivíduo. Desse modo, o problema abordado por Bourdieu constitui-se em uma realidade brasileira. Ou seja, eventos com alto custo, por exemplo, inviabilizam a participação da grande massa popular. Por conseguinte, o trabalho dos escravos em tentar conservar suas origens termina por ser invalidado. Visto isso, não é razoável que o Brasil - país da diversidade - torne-se omisso aos seus próprios símbolos nacionais.
Além disso, o predomínio dos interesses capitalistas nos eventos fragiliza o verdadeiro significado do carnaval. Nesse contexto, Nietzche estudou a cultura filisteia, que segundo ele, trata-se das posições capitalistas que defendem o progresso econômico e social em detrimento da plena formação pessoal. Analogamente ao contexto brasileiro, o cenário nocivo à cultura, denunciado por Nietzche, faz com que o carnaval acabe por se tornar um espetáculo financeiro, visto que atrai inúmeros lucros ao turismo. Todavia, o sucesso econômico não é coerente com o significado real do evento: símbolo da nacionalidade e das origens coloniais do povo brasileiro. Isto posto, a negligência do sistema fragiliza - ou até mesmo desconstrói - o sentido carnavalesco no Brasil do século XXI.
Portanto, diante da ineficiência brasileira em concretizar o carnaval como símbolo da nacionalidade no século XXI, é preciso mudar esse cenário. Para tanto, a Secretaria da Cultura precisa viabilizar a participação popular nessas manifestações culturais, por meio da organização de eventos anuais com entrada gratuita. Ademais, é importante que sejam exibidas as histórias da origem colonial da festa, a fim de mitigar a segregação e o domínio capitalista. Dessa forma, é possível valorizar esse símbolo nacional tão importante e resgatar seu verdadeiro sentido: a nacionalidade brasileira.